Paranaenses engrossam o movimento
Celina Alonso Az
Especial para a Folha
De Brasília
Centenas de produtores rurais paranaenses que chegaram a Brasília na segunda-feira estão acampados na Esplanada dos Ministérios. Ao contrário dos manifestantes de outros estados que lotaram a Esplanada com caminhões e tratores, a maioria dos agricultores do Paraná viajou até a capital em ônibus fretados pelos sindicatos.
É o caso de Nivaldo Tavares, cotonicultor de Santo Inácio. Ele já teve carro, trator e precisou vender tudo por causa das dívidas agrícolas. Hoje anda a pé e só veio a Brasília porque lhe pagaram a passagem. A situação está muito difícil para nós. E até quem ainda tem caminhão não tinha como pagar o díesel, fazer consertos e comprar pneus para enfrentar a estrada.
Nivaldo Tavares, que vivia bem e mantinha a família com a lavoura de algodão desde 1962, conta que nunca viveu uma crise como esta. De cinco anos para cá estamos todos quebrados. É o Banco do Brasil pressionando a gente, é a roça se acabando. Vendi tudinho que tinha para pagar as dívidas. Tento novo crédito e me viraram as costas. Não tenho mais de onde tirar, e nem o que dar como garantia.
Os 75 produtores que vieram em ônibus fretados de Sertanópolis, 1º de Maio, Bela Vista do Paraíso e de Alvorada do Sul dizem quase em coro: Não queremos deixar de pagar nossas dívidas. Nós agricultores é que levamos o país nas costas e aparecemos nos jornais como caloteiros. Do jeito que estamos, vamos acabar virando bóias-frias, diz Mauro Macieira.
Acampados em barracas, dividindo cabines e comida, muitos agricultores acreditam que a viagem pode ter um fim produtivo. Mas as críticas durante as rodas de conversas debaixo de lonas, a cara fechada pelas noites sem dormir direito traduzem o descontentamento com a atual política agrícola.
Para Osvaldo Teracci, diretor do Sindicato Rural de Sertanópolis, o índice aplicado às dívidas dos agricultores é absurdo. Como aumentar a produtividade como o Governo quer, sem uma política definida. Se conseguirmos produzir como no ano passado já estaremos perdendo pelo menos 30%.
Os 40% que nós estamos reivindicando são justos. Só queremos prazo maior, juros menores e algum apoio dos bancos como era antes do Real, que hoje não deixa a gente nem plantar, critica Maurílio Piubeni do Sindicato de Alvorada do Sul. Do jeito que está o que os nossos netos vão dizer para nós: Vocês só deixaram dívidas para nós?.





