Paranaenses conhecem regiões afetadas pela seca nos EUA
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
Alguns municípios do cinturão agrícola dos Estados Unidos já registram perdas de até 60% na produção de milho devido à estiagem que atinge o país. A informação é do professor da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Antonio Luiz Fancelli, que participou esta semana de uma comitiva organizada pela Cooperativa Cocamar para verificar os estragos da estiagem e também conhecer novas tecnologias disponíveis para o setor. Durante mais de uma semana, o professor, produtores paranaenses e técnicos da cooperativa visitaram propriedades na região meio oeste dos EUA, ouvindo relatos de agricultores e autoridades sobre o drama que o país vive.
Fancelli destaca que a situação da produção de milho está crítica. ''A qualidade das plantas está muito ruim, contendo muitas micotoxinas e aflatoxina, fungos que liberam toxinas que atrapalham a qualidade do grão'', explica. O professor destaca que em muitas localidades o milho não pode ser utilizado nem para ração animal. Leandro Cesar Teixeira, gerente de produção agrícola da Cocamar, revela que a quebra da safra, que começa a ser colhida agora em setembro, poderá ser ainda maior.
Segundo ele, quanto mais ao leste do cinturão produtivo americano, mais visíveis são as perdas na produção. ''Já na região oeste, houve uma pequena incidência de chuvas no decorrer da safra, dimunuindo os prejuízos'', reporta Teixeira. A média da quebra de safra americana, de acordo com o departamento de agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês), deve ficar em torno dos 30%.
Hegemonia
Mesmo com essa situação adversa, os Estados Unidos ainda seguem na liderança em produtividade de milho. Ao todo, deverão ser colhidos entre 7 mil e 8 mil quilos por hectare. No Brasil, a média de quilos por hectare do grão não passa de 5 mil. ''Um das vantagens do solo americano é a sua alta retenção de umidade. Além disso, nesses solos são inseridas altas tecnologias, principalmente em sementes'', sublinha Teixeira.
O produtor paranaense Silvio Fhigueyuki, um dos integrantes da comitiva, observa que uma das únicas vantagens da produção americana é que as áreas de plantio são mais planas, o que facilita a ocupação. O agricultor destaca ainda a alta densidade das lavouras, ou seja, um maior número de plantas por área. Enquanto produtores americanos trabalham com 80 plantas por hectare, Fhigueyuki não consegue inserir mais que 60 plantas por hectare. Um dos motivos é a topografia que não permite tal realização.
O professor da Esalq, Antônio Luiz Fancelli, afirma que o solo do cinturão produtivo dos EUA contém em sua composição um tipo de argila que retém muito mais água do que os solos brasileiros. ''Além disso, o teor de matéria orgânica da terra americana é muito maior'', sublinha. Segundo o professor, aumentar o adensamento das lavouras brasileiras é mais complicado porque o solo não possui todas as características propícias para isso, principalmente no que diz respeito aos nutrientes.



