Paranaenses arrematam três hidrelétricas
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sexta-feira, 12 de julho de 2002
Denise AngeloEquipe da Folha 
Curitiba - Duas das quatro empresas paranaenses pré-qualificadas para o leilão de hidrelétricas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) conseguiram arrematar três das oito concessões para construção de usinas colocadas à venda ontem na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.
A empresa J. Malucelli Construtora de Obras arrematou a outorga da usina Olho d'Água, de 33 MW, que será construída no Rio Corrente, entre os municípios de Itajá e Itarumã, em Goiás. O lance vencedor foi no valor de R$ 185 mil ao ano, sem ágio sobre o valor mínimo estabelecido no edital. O proprietário da empresa, Joel Malucelli, estava satisfeito com o resultado. Apesar de ter sido pré-qualificada para a disputa de seis projetos, a J. Malucelli só confirmou participação, fazendo o depósito necessário, na disputa desse projeto. ''Optamos somente por essa usina porque já estamos construindo outras duas hidrelétricas no Rio Corrente'', argumentou.
A previsão de Malucelli é concluir a obra em três anos, embora o edital permita um prazo maior. ''Como temos uma construtora dentro do grupo, a construção fica mais rápida'', disse. Segundo ele, 400 pessoas devem se envolver no processo de construção da hidrelétrica.
A outra paranaense a vencer os leilões foi a Triunfo Participações e Investimentos S.A, que conquistou o direito de construir e explorar as hidrelétricas de Salto, que terá 108 MW de capacidade instalada, e de Salto do Rio Verdinho, de 93 MW. Os dois empreendimentos serão construídos no Rio Verde, nos municípios de Caçu e Itarumã, em Goiás. Salto foi arrematada com um lance de R$ 450 mil ao ano e Salto do Rio Verdinho por R$ 410 mil, valores também correspondentes ao mínimo fixado no edital.
A construção das outras cinco usinas ficará a cargo de Alcan Alumínio do Brasil Ltda; Empreendimentos Master S.A.; e Estreito Energia - Ceste, formado pelas empresas Alcoa Alumínio S.A ., Camargo Corrêa Energia Ltda, BHP Billiton Metais S.A., Cia Vale do Rio Doce e Tractebel Egi South America Ltda.
A usina Traíra II, em Minas Gerais, foi a única que teve ágio. O leilão foi vencido pela Alcan Alumínio do Brasil Ltda, que pagará R$ 4,6 milhões ao ano, ágio de 1.990,91% sobre o valor mínimo, e maior lance ofertado no leilão.
Todas as concessões ofertadas foram arrematadas por investidores, que pagarão ao longo dos 35 anos de concessão das usinas R$ 319,2 milhões, valor que será recolhido aos cofres do Tesouro Nacional. Para o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo, o resultado foi um sinal claro de confiança dos investidores, que apostaram no Brasil.


