Com cerca de 50 integrantes, a comitiva de paranaenses ligados à agropecuária voltou ontem à Brasília para pressionar os deputados a aprovarem o projeto do Novo Código Florestal. A votação na Câmara está prevista para a noite de hoje, depois de ter sido adiada na semana passada.
Um dos membros da comitiva, o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Pissinati, afirmou estar otimista. Ele conversou com a FOLHA por telefone ontem no final da tarde, quando aguardava uma conexão para Brasília no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais. ''Se o projeto for colocado em votação, eu acho que vamos ganhar'', comentou.
Os ruralistas apoiam o texto apresentado pelo relator Aldo Rebelo (PCdoB). Mas o governo federal tem pelo menos duas grandes dircordâncias em relação ao projeto. Enquanto Rebelo quer isentar da reserva legal as propriedades com até quatro módulos fiscais, o governo só aceita deixar de fora desta exigência a agricultura familiar.
O projeto do deputado comunista também quer diminuir para 15 metros o tamanho da mata ciliar dos rios estreitos. Mas o governo insiste em 30 metros. Na opinião do assessor de meio ambiente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Silvio Krinski, o governo estaria disposto a ceder, pelo menos no primeiro tópico. ''Em troca, ficaria com a função de definir o Plano de Regularização Ambiental (PNA) que, pelo projeto, é de responsabilidade dos Estados'', explicou.
O assessor disse acreditar que, mesmo sem acordo entre as partes, o projeto será submetido ao plenário da mesma forma. ''Neste caso, há grande risco de veto presidencial nos pontos que o governo não condorda'', avaliou. Ele compleotu que uma outra hipótese, na sua opinião mais remota, é de um novo adiamento da votação.
''Nós temos dois trabalhos. O de convencer os deputados a aprovarem o texto e de persuadir o governo a não vetar o projeto se ele for aprovado'', afirmou o presidente do Sindicato Rural. Depois de apreciado pela Câmara, o Novo Código também será votado pelo Senado. Caso seja modificado naquela Casa, ele precisará voltar para nova apreciação dos deputados federais. Somente após isso vai para análise da presidente Dilma Rousseff.
Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, o deputado federal Moreira Mendes (PPS-RO) disse à FOLHA estar muito otimista em relação a um acordo com o governo nesta terça-feira. Apesar disso, ele afirmou que a recomposição da mata ciliar é um ponto muito difícil de resolver. ''Nenhum dos lados quer abrir mão de suas posições'', disse. Na manhã de hoje, Mendes vai se reunir com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi.

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