Cláudia Lopes
De Londrina
A decisão da Argentina de adotar medidas de salvaguarda contra produtos importados está preocupando o empresário do setor calçadista Jacson Cesar Silva, de Tapejara (39 km a leste de Umuarama). Proprietário das indústrias Dalila Calçados e Agroboys, Silva aguardava ontem à tarde a resposta de um possível comprador argentino das coleções primavera-verão de sapatos femininos e infantis.
‘‘Falei com o argentino ontem, ao meio-dia, e ele pediu que eu aguardasse um novo telefonema’’, contou. Silva disse que, entre agosto e dezembro do ano passado, contratou 25 funcionários na Dalila Calçados para fabricar sapatos femininos para este lojista de Buenos Aires. ‘‘Na Agroboys, empreguei 12 trabalhadores no mesmo período para produzir sapatos infantis para o mercado argentino. Se o negócio não se concretizar neste ano, 37 pessoas deixarão de trabalhar’’.
Em 98, a Dalila Calçados exportou 15 mil pares de sapatos para a Argentina. A empresa, que vende para todo o Brasil, produz cerca de mil pares por dia e emprega 60 funcionários. ‘‘Neste ano, esperávamos vender 30 mil pares de calçados femininos e seis mil pares de infantis para aquele mercado’’, disse Silva. Segundo ele, para colocar as coleções de verão das duas fábricas paranaenses em vitrines portenhas, o negócio precisa ser fechado até o próximo dia 15.
‘‘A decisão do governo argentino jogou água fria nos nossos planos’’, reclamou Silva. Na semana passada, ele participou da Exporueda 99, em Assunção, para intensificar contatos a fim de aumentar os negócios com outros países do Mercosul.

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