Curitiba - As contas de luz dos paranaenses estão cerca de 15% mais caras desde 24 de junho, pois a Copel deixou de oferecer o desconto nas contas de energia para os consumidores que pagam a conta em dia. O reajuste superior aos 2,46% autorizados Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no mês passado acumula o índice de 12,98% de junho de 2009 transformado em desconto para os clientes adimplentes com a autorização do Conselho de Administração e da Assembleia Geral de Acionistas da companhia.
O reajuste vai incidindo proporcionalmente nas faturas, ou seja, a cada dia que passa, enquanto o Conselho de Administração e os acionistas não decidirem o que será feito com a política de descontos que foi implantada no mandato do então governador Roberto Requião. Ainda não há data marcada para que haja uma decisão sobre este assunto. Enquanto isso, o consumidor paga mais caro pela energia que consome.
Para o consumidor residencial, o desconto que entrou em vigor no ano passado era de 11,03% e o reajuste autorizado pela Aneel em junho deste ano foi de 3,65%, o que eleva a conta em cerca de 15%. O reajuste deste ano é aplicado sobre a ''tarifa cheia'', ou seja, sobre as faturas sem o desconto de 11,03%. Com isso, os medidores de energia estão fazendo a leitura com novas tarifas desde 24 de junho.
Caso a estatal não conceda novos descontos para quem paga em dia, o reajuste vai refletir plenamente na conta a partir de agosto. O problema é que o aumento de 15% é maior que os principais índices de inflação nos últimos 12 meses e que o reajuste dos salários da população.
O presidente da Copel, Ronald Ravedutti, destacou que a prática de descontos para neutralizar o reajuste médio de 12,98% concedido pela Aneel em junho de 2009 deixou de se justificar como benefício social. ''Observamos que o desconto deixou de cumprir sua finalidade social, quando cerca de 50% das contas de luz não mais eram pagas até o vencimento, e que a grande maioria dessas contas era de famílias com padrão de consumo muito pequeno.''
Segundo a estatal, para os novos empreendimentos - como a Usina Mauá - e as obras necessárias à expansão do sistema elétrico paranaense, a empresa precisa contar com os recursos provenientes da venda de eletricidade, sob pena de ver inviabilizados os projetos. ''Ainda que seja uma obra com financiamento, sempre existe o compromisso de a empresa ingressar com uma contrapartida cuja origem é o caixa da Companhia'', explicou Ravedutti.

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