Curitiba - O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) Luís Carlos Guedes Pinto declarou ontem em Curitiba que o Paraná é novamente área livre de febre aftosa. O anúncio do ministro foi feito em reunião aberta na Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab), quando o ministro também noticiou o fim das restrições sanitárias no município de Loanda (102 km a oeste de Paranavaí), última região interditada no Paraná por causa da suspeita de febre aftosa no Estado.
Com a decisão do ministério, o Paraná volta a ter as mesmas condições de transporte e comercialização de seu rebanho dentro do País existentes antes da decretação do foco de aftosa. Ou seja, a circulação do gado paranaense está liberada em todo território nacional. O retorno das exportações da carne paranaense para o mercado internacional depende, agora, segundo o ministro, de parecer da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e da iniciativa dos países importadores em procurar o estado do Paraná novamente para negociações.
Nos próximos dias o ministério encaminhará à OIE o relatório final com as conclusões sobre os procedimentos feitos no Estado, solicitando que o Paraná seja reconhecido, também em âmbito mundial, como área livre de aftosa. Com isso, o Estado poderá voltar a exportar carne bovina. A expectativa, segundo o ministro, é que a comissão responsável da OIE coloque o assunto em pauta em sua próxima reunião, que será realizada em dezembro ou no máximo em março do ano que vem, quando acontece a próxima reunião do organismo internacional.
O Estado volta a ser área livre da febre aftosa quase um ano depois que o Governo estadual anunciou a suspeita de um foco de febre aftosa, depois da doença ter sido diagnosticada em fazendas do Mato Grosso do Sul. Sete propriedades em cinco municípios paranaenses foram consideradas foco de aftosa. Após a confirmação dos focos, governo estadual e ministério travaram um duelo na imprensa e, posteriormente, nos bastidores, sobre a existência ou não da febre aftosa no Paraná.
O governo estadual argumentava que os resultados dos exames indicavam um ''falso positivo'', ou seja, que os sintomas da doença eram reflexo da vacinação. Já os técnicos do ministério confirmavam o diagnóstico e argumentavam que a discusão não tinha fundamento técnico e que seria preciso cumprir todas as exigências da OIE para não prejudicar a venda da carne brasileira no exterior. No cumprimento dessas exigências, segundo o secretário de Agricultura Newton Pohl Ribas, foram sacrificadas 6.781 cabeças de gado existentes nas sete propriedades suspeitas.
Sobre a adoção de medidas de prevenção a novos focos de febre aftosa, Guedes Pinto afirmou que para trabalhar a questão de sanidade significa fazer um trabalho continental. Para isso, o ministério está em contato com outros países, por meio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura e com o Instituto Interamericano de Cooperação Agrícola na América Latina, com uma proposta para a implantação integrada de medidas sanitárias. Internamente, o ministro ressaltou a necessidade de uma ação conjunta, cabendo aos governo a responsabilidade de fiscalização e aos proprietários rurais o compromisso de não introduzirem animais ilgalmente no País.

mockup