Paraná volta a perder vagas após dois meses
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sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

O Paraná voltou a fechar vagas em outubro, depois de dois meses em que as contratações foram superiores às demissões, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado nessa quinta, 24, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O saldo ficou negativo em 387, o que representa apenas 0,01% do estoque de assalariados do Estado. No entanto, praticamente reverteu o resultado positivo do mês anterior, quando foram gerados 413 postos de trabalho.
No acumulado do ano, os paranaenses viram reduzir em 21,7 mil o número de carteiras assinadas, o que representa queda de 0,80% em relação à quantidade de dezembro de 2015. O saldo do mês foi puxado para baixo pela construção civil (-1,3 mil) e pelos serviços (-527), principalmente. Por outro lado, foram destaques positivos o comércio (1,1 mil) e a indústria de transformação (906).
O diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki Júnior, afirma que o resultado é ruim por interromper a sequência de altas, mas não é de todo ruim. "Primeiro, porque não foi uma queda tão expressiva e, segundo, porque vejo a recuperação industrial como um sinal positivo de que podemos ter uma recuperação à frente."
Para o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), outubro é o mês em que a atividade no setor começa a cair, o que tenderia a ocorrer de forma ampliada devido à crise econômica que o País vive. Porém, a fabricação de alimentos e bebidas, que abriu 910 vagas, garantiu um fôlego no mercado de emprego. "Mostra a importância da parte de alimentos, que é um segmento que sofre menos na crise e que depende do agronegócio, que vive um bom momento", diz, ao lembrar que outra vantagem é a distribuição da atividade por todo o Estado.
Isso porque houve equilíbrio na redução de vagas, de 235 na Região Metropolitana de Curitiba e de 192 no Interior. Pelo lado das quedas, Zurcher considera que serviços foi o último setor a sentir o momento econômico e a construção civil ainda está em compasso de espera, após a paralisação de demanda por novos imóveis. "Se as novas privatizações (em infraestrutura) saírem, pode ser que dê um impulso na construção", completa.
Nos próximos meses, a expectativa é de resultados um pouco melhores, principalmente no comércio. "Não será algo exorbitante, mas aqueles que costumam precisar de temporários no fim de ano atrasaram para novembro as contratações", diz Suzuki.
No geral
Os números do Paraná são pequenos em comparação à média nacional. Houve fechamento de 74,7 mil vagas em outubro, ou 0,30% do total, o que elevou o resultado negativo do ano para 751,8 mil, ou 1,89% a menos do que em dezembro de 2015. A construção civil, com redução de 33,5 mil postos de trabalho, e os serviços, com queda de 30,3 mil, puxaram o resultado.
Em Londrina, os dois setores também tiveram os piores resultados no mês, com fechamento de 223 postos na construção e de 220 em serviços. A indústria também perdeu 64 vagas e o comércio, 35. Ficaram positivas somente agropecuária, com 43, e administração pública, com um emprego, o que resultou em 500 pessoas a mais desempregadas neste mês. No ano, a cidade já perdeu 2,2 mil carteiras assinadas.


