Paraná vende mais e fatura menos em 2003
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A indústria paranaense vendeu mais e faturou menos em 2003. Apesar do expressivo crescimento nas exportações volume 25,5% maior em relação a 2002 os custos de produção aumentaram e os industriais tiveram que reduzir suas margens de lucro por conta da recessão. Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), divulgado ontem, a queda no faturamento foi de 12,15%.
A política econômica de juros altos e valorização do real frente ao dólar foram os fatores que mais pesaram na redução do valor financeiro das vendas. O coordenador do Departamento Econômico da Fiep, Maurílio Schmitt, lembra que o dólar médio em 2002 era cotado R$ 3,40. Já no segundo semestre de 2003, período de maior venda industrial, caiu para R$ 2,92.
''A indústria não teve capacidade de absorver a pressão de custos que teve em 2003'', destacou Schmitt. O que mais pesou foi o aumento dos preços da energia elétrica, transporte público, combustível e comunicação, bem superior aos preços do setor produtivo, que ficou em 81%. A margem de lucro do setor industrial, segundo a Fiep, está reduzida em 10%. ''Isso diminuiu o capital de giro e o poder de investimentos das empresas. A recuperação da margem preocupa o setor empresarial, em função de ainda acontecer uma retração de consumo'', afirmou.
O pior desempenho foi do setor têxtil, que faturou, em 2003, 46,46% menos na comparação com o ano anterior. Dos 18 gêneros pesquisados pela Fiep, apenas quatro obtiveram resultados positivos em 2003. Também apresentaram quedas significativas os segmentos de perfumaria, sabões e velas (-30,82%) e produtos alimentares (-19,60%), influenciados pela desvalorização do dólar. A maior alta foi do setor couro, peles e produtos similares (15,64%), mecânica (6,02%) e madeira (3,24%).
O coordenador da Fiep reforçou que, além do aumento no custo de produção, o setor industrial empregou 5,12% mais que em 2002 e registrou crescimento de 4,98% na produção física, o que acentuou o descompasso com as vendas.
Para Schmitt, até agora, ''os sinais não são muito positivos'' para que a indústria possa reverter a queda no faturamento. O setor, por enquanto, não tem como se animar, pois o governo federal continua apostando na política monetária restritiva, com a manutenção da taxa de juros, e o aumento da carga tributária, com o reajuste na Cofins.
Para ajudar o setor industrial, a federação vai buscar formas de desenvolvimento com base em inovações. Uma das áreas que serão priorizadas é a da alavancagem financeira. Outros focos são a tecnologia e a exportação. Esses assuntos serão tratados em encontros regionais programados para março. A idéia é discutir um planejamento compartilhado, envolvendo profissionais do Sistema Fiep, sociedade, industriais, trabalhadores e acadêmicos. A Fiep pretende, ainda, trazer para Curitiba diretores de instituições financeiras e de fomento para discutir novas linhas de crédito.


