ArquivoConsanguinidadeEstado vai apoiar importação de alevinos para melhorar a genética dos cardumes e evitar consanguinidade O Paraná está produzindo este ano cerca de 12 mil toneladas de peixes de água doce, 50% a mais que no ano passado (7,7 mil t). Os criadores estão obtendo os maiores lucros do setor agropecuário, mas a produtividade é muito baixa; há risco de crescimento desordenado e está faltando controle de qualidade. Por isso, o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Hermas Brandão, criou um grupo de estudos para orientar a atividade.
O grande estímulo à piscicultura no Paraná veio com a proliferação de centros de pesca amadora, os pesque-pague, na região metropolitana de Curitiba, no interior do Estado e no interior de São Paulo, que absorve quase toda a produção paranaense. Atualmente, cerca de 22 mil produtores rurais investem na piscicultura de água doce, em 39 mil tanques que ocupam área de 6.632 hectares, a maior em todo o País.
A euforia dos produtores é justificada pelo preço do quilo da tilápia, R$ 3,50, e das espécies nativas, mais valorizadas, como o piauçu, R$ 5,50, o pacu, R$ 6,50 e a truta, R$ 7,50. Há ainda 73 produtores de alevinos que colocam no mercado 97 milhões de peixes destinados à engorda em tanques nas propriedades rurais.
Mercado instável O problema é que toda essa produção se destina quase exclusivamente aos pesque-pague, cujo público é infiel e, em consequência, a euforia pode acabar em prejuízo, segundo avaliam os técnicos da Secretaria da Agricultura. Eles estão orientando os produtores para a formação de um mercado consumidor mais consolidado, que absorva o aumento da produção que o governo quer incentivar.
O grupo de estudos deve identificar e reorientar os principais elos da cadeia produtiva. Um dos pontos de maior preocupação dos técnicos da Secretaria da Agricultura é com a margem de comercialização - acima de 100% -, que tende a se esgotar. O médico veterinário Masaru Sugai, do Departamento de Pecuária da Secretaria da Agricultura, alerta lembrando o exemplo da criação de coelhos, em que foram feitos investimentos de grande porte mas mesmo assim a atividade quebrou por falta de organização do setor.
Técnicos da Secretaria, da Emater, da Codapar e da Unioeste vão identificar as potencialidades e exigências do mercado consumidor e aprofundar os dados sobre sistemas de cultivo, de espécies e do meio ambiente.
Organizar a produção Um sério problema é a má qualidade dos alevinos, devido à consanguinidade na reprodução e falta de controle do material genético. Para melhorar a qualidade genética, a Secretaria apoiou a importação de alevinos de tilápia.
A Associação dos Produtores de Alevinos do Estado do Paraná (Alevinopar) trouxe no ano passado da Tailândia 20 mil toneladas de alevinos. Uma parte desse material já foi entregue a 29 produtores e 25% do total importado ficou com a Secretaria, que os está distribuindo para bancos genéticos em Bandeirantes, Londrina, Toledo e Corbélia. A administração dos bancos é feita por convênio entre as prefeituras e instituições de ensino, com o objetivo de preservar a alta qualidade genética dos alevinos.
A Secretaria realizará este ano cursos de capacitação profissional para cerca de 300 produtores e técnicos em piscicultura, visando aumentar a produtividade. Masaru Sugai diz que a produtividade média de 2 t/ha/ano é um índice muito baixo para a potencialidade do Paraná. A meta é alcançar 15 t/ha/ano, a mesma produtividade das regiões Oeste e Sudoeste, onde se concentra a maior produção de peixes de água doce.
Um outro problema é o aumento desordenado e sem cuidados da população de peixes, pois isto favorece o surgimento de doenças, especialmente o ‘‘stress’’, devido à concorrência em busca de alimentação. A Secretaria pretende exercer um controle sanitário maior sobre os pesque-pague para evitar a disseminação de doenças.
Também como estímulo à piscicultura a Secretaria da Agricultura renovou acordo de cooperação técnica com a província chinesa de Zhejiang por mais três anos. Cinco técnicos paranaenses irão à China fazer estágio na área de patologia e na volta poderão detectar com mais facilidade as doenças dos peixes. Os chineses detêm a melhor tecnologia na criação de camarão de água doce e estão interessados em aplicá-la no Paraná, onde já existem algumas experiências-piloto bem-sucedidas, com bons resultados quanto ao rendimento e ganho de peso.

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