Paraná vai recuperar matas ciliares
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quinta-feira, 28 de agosto de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A cobertura de mata ciliar no Paraná não passa de 2% ao longo de rios e reservatórios das usinas hidrelétricas espalhadas por todo o Estado. A reversão desse quadro, que vêm provocando casos graves de erosão nas propriedades rurais e assoreamento dos mananciais, será alvo de um programa estadual de governo, liderado pelas secretarias do Meio Ambiente e da Agricultura e do Abastecimento.
Técnicos do governo, da iniciativa privada e de universidades se reuniram ontem e hoje na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, para discutir a implementação do programa no Estado. As secretarias do Meio Ambiente e da Agricultura vão disponibilizar parte dos US$ 32 milhões já previstos no programa de biodiversidade para a recuperação das matas ciliares. O programa deverá ser lançado no dia 22 de setembro.
O programa prevê a recuperação de matas ciliares nas 61 unidades de conservação ambiental do Paraná, dos mananciais de abastecimento hídrico e dos reservatórios das concessionárias de energia elétrica. Só a Copel tem 19 grandes reservatórios, afirmou Ricardo Ramires, coordenador de Biodiversidade e Florestas da Secretaria do Meio Ambiente.
A necessidade de promover a recuperação da mata ciliar já é consenso entre os produtores, disse Claudio Klemz, representante da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Segundo ele, os produtores sentiram o efeito da erosão dentro de suas propriedades, por falta de cobertura da mata ciliar.
Em função disso os produtores estão dispostos a fazer o replantio, mas antes querem saber se terão incentivos porque muitos produtores não têm condições financeiras ou conhecimento técnico para recuperar as áreas.
O gerente do departamento de Proteção Ambiental da Usina de Itaipu, Newton Kaminski, afirmou que a usina pretende contribuir com o programa. Segundo ele, está aumentando a preocupação com os níveis de assoreamento no lago de Itaipu em função do lixiviamento (processo em que a água da chuva carrega partículas de solo para rios e lagos) oriundo da região Noroeste.
Para evitar o comprometimento do desempenho da usina de Itaipu em função da ameaça de assoreamento do reservatório, a companhia destina US$ 5 milhões anuais para programas conservacionistas na região.


