Paraná vai receber material genético de raças zebuínas
Passados 37 anos da última importação de gado zebu da Índia, o Brasil poderá receber material genético para garantir a qualidade dos animais da raça criados por aqui. Um convênio firmado ontem entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Acharya Ranga Universidade Agrícola de Hyerabad, da Índia, deve garantir a importação de material genético para a formação de um Banco de Germoplasma em Londrina .
Segundo o autor do projeto de criação do Banco de Germoplasma, o professor da UEL, Marco Antônio da Rocha, o objetivo do banco é promover maior variedade genética do rebanho brasileiro. A princípio, segundo Rocha, o banco irá armazenar apenas material genético (sêmen, ovócitos e embriões) da raça Nelore. Rocha observou que para entrar em operação, o Banco de Germoplasma depende da aprovação de importação do Ministério da Agricultura. Participam do projeto do banco, além da UEL, a Universidade Norte do Paraná (Unopar), que assinou no domingo convênio com a instituição indiana, a Sociedade Rural do Paraná e a Associação dos Criadores de Nelore (Anel)
Rocha observou que este será o primeiro banco do gênero no País. O professor afirmou que o material que virá da Índia passará pelo teste de progênie para verificar quais os animais fornecedores de material genético conseguem repassar suas características para seus descendentes. Rocha disse que os testes levam um ano e meio, e só com os resultados é que o banco começa a se formar. O teste selecionará os reprodutores da Índia com maior potencial de ganho de peso, comentou.
Segundo o reitor da UEL, Jackson Proença Testa, as linhagens de Nelore que estão no Brasil não se renovam desde de 1962, quando o pecuarista de Londrina, Celso Garcia Cid fez a última importação de gado zebuíno. A consanguinidade é grande, o que pode levar a um definhamento da raça, afirmou. Ontem também foi assinado o protocolo para a criação da Associação Internacional do Gado Nelore. Testa disse ainda que outro setor que desperta interesse para futuros projetos é o controle biológico de pragas da agricultura.
O reitor da Acharya Ranga, Dr. I.V.Subba Rao, disse que o convênio assinado ontem marca o início de uma relação de cooperação técnico-científica entre as duas instituições. Estamos retribuindo a visita feita no ano passado pelo reitor da Universidade de Londrina, e procurando saber que tipo de intercâmbio podemos fazer, comentou. Rao disse que sua universidade desenvolve pesquisas para melhorar a produtividade de leite do rebanho zebuíno. Segundo ele, a média de produção é de três litros de leite/vaca/dia. Os animais são criados a campo e são utilizados como força de trabalho. O reitor observou que há duas décadas, a Índia tinha animais que produziam até 20 litros/dia, mas que acabaram se perdendo em cruzamentos. Rao disse que a universidade também está interessada no trabalho desenvolvido com a piscicultura no Brasil.
O reitor da Universidade Acharya Ranga, acompanhado pelo diretor geral de pesquisa Dr. Ravindra Reddy, também visitou ontem o Iapar, a Embrapa, e foi recepcionado pelo presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, onde participou do lançamento do livro O caminha da UEL para a Índia. Hoje, a comitiva visita a Fazenda Volta Grande, em Barboza Ferraz e a Fazenda Cachoeira em Sertanópolis.Josoé de CarvalhoIntercâmbioReitores Testa e Rao, juntos com pesquisador Ravindra Reddy, assinam convênio de cooperação técnicaGuto Rocha





