Paraná vai rastrear produtos agropecuários
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2001
De Londrina 
Um grupo de trabalho formado por representantes da produção, indústria e governo vai elaborar o programa de rastreabilidade, certificação, padronização e controle de qualidade dos produtos agropecuários paranaenses. A decisão foi tomada ontem em encontro realizado na Faep.
O rastreamento e a certificação de origem são exigências de mercados de países desenvolvidos e começam a chegar ao Brasil; há contratos das grandes redes de supermercados com produtores, em que estão estabelecidas rígidas regras de sanidade e qualidade. Hoje existe uma lacuna no país quanto a normas de certificação.
A idéia do encontro foi colocar o problema em discussão e dar-lhe um sentido de urgência - uma vez que trata-se de conquista e manutenção de mercados para os nossos produtos. Em termos práticos, decidiu-se pela formação de um grupo de trabalho que irá propor regras e normas adaptadas à nossa realidade, mas em acordo com as exigências internacionais.
A garantia de qualidade e segurança dos produtos agrícolas é uma exigência internacional da qual não se pode fugir. Segundo Ênio Marques, consultor empresarial do setor carnes, ''nesta questão os países abriram mão de sua soberania e aceitaram reformular suas políticas segundo normas comuns''. Quem não aderir, poderá ficar fora dos grandes mercados consumidores.
Os relatórios internacionais apontam o Brasil como o país onde haverá maior aporte de capital e tecnologia na área de produção de alimentos. ''O grande desafio'', segundo Ênio Marques, ''é a transição do sistema antigo de defesa agropecuária, cujo foco era o controle de doenças, para um novo modelo que prioriza a saúde e todos os seus componentes de gestão''. Participaram do encontro em Curitiba representantes da Faep, Senar-Pr, Secretaria de Agricultura, Ocepar, Associações de Produtores, Sadia e Fepac.
Opinião de José Eduardo O presidente da Faep, Ágide Meneguette, disse ontem ao ex-ministro e produtor José Eduardo de Andrade Vieira, que concorda com a opinião de que a rastreabilidade da carne bovina ''é muito pouco'' se comparada ao que deve ser feito para organizar a cadeia produtiva da carne. José Eduardo foi entrevistado por este jornal (18/12) diante do anúncio, pelo governo, do programa de rastreabilidade da carne, que deve ser implantado em janeiro. Ele entende que a organização do mercado passa pela tipificação de carcaça, por exemplo. E que para corrigir as atuais distorções que prejudicam as duas pontas da cadeia - produção e consumo - o programa não pode prescindir de medidas como a normatização do transporte, tipificação e outras que citou na oportunidade.
Meneguette presidiu ontem o encontro que reuniu representantes da produção (agropecuária), da indústria, além de instituições técnicas como Tecpar e universidades, associações de produtores e criadores.
Para Ronei Volpi, da assessoria técnica da Faep e superintendente do Senar-Pr as instituições do Paraná estão dando um passo importante depois de conquistarem a credibilidade de produtos no aspecto sanitário. A próxima etapa é a credibilidade internacional. Volpi acha que o produtor tem que ser amplamente orientado sobre o assunto para aderir ao esforço conjunto.


