Diante das turbulências econômicas na Argentina, o setor moageiro nacional, temendo a paralisação do fornecimento do trigo argentino, já se antecipou e está pedindo apoio do governo na importação de trigo do Canadá e dos Estados Unidos. Nesse caso, a taxa de importação chega a 35% sobre o total adquirido. Com uma demanda interna aproximada de 10,5 milhões de toneladas, o Brasil depende quase que 90% do trigo argentino, do qual não paga taxa de importação.
Para incentivar a produção do trigo nacional, governo, indústria moageira e moinhos vêm desenvolvendo pactos de cooperação desde do final de 1999. Em 2000, o objetivo era de que fossem produzidas 2,5 milhões de toneladas de trigo nacional, mas devido a ocorrência de geadas, 1,5 milhão de toneladas foi o saldo total. Já no ano passado, a produção foi de 2,7 milhões de toneladas, sendo que a expectativa era de 3,5 milhões de toneladas. ‘‘Em 2001, não tivemos a oferta suficiente de sementes para o aumento de área de produção’’, explicou ontem o pesquisador da Embrapa-Soja, em Londrina, Sérgio Dotto.
Para este ano, no entanto, Dotto afirmou que os produtores de sementes estão preparados para a demanda, e que a boa comercialização do trigo nacional no ano passado estimulou todo o setor. Com o preço mínimo estabelecido em R$ 225,00/t, negociações de mercado ficaram entre R$ 260,00 e R$ 280,00. Para 2002, a área de plantio no Paraná está estimada em 950 mil hectares, com produção de 1,8 milhão de toneladas.
‘‘A meta é de que em 2005 estejam sendo produzidas 5 milhões de toneladas de trigo nacional’’, destacou Dotto. Ele também afirmou que não acredita que o governo brasileiro apóie a auto-suficiência da produção. ‘‘Isso iria contra a política da boa vizinhança do Mercosul, que tem na Argentina seu maior parceiro’’, ponderou. A tendência, segundo o pesquisador, é que o governo estimule cada vez mais a exportação de produtos manufaturados para a Argentina, garantindo a importação de grãos. ‘‘Com o Brasil conseguindo manter metade do que consome, essa relação fica mais equilibrada, principalmente para os produtores do Centro-Sul’’, disse.

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