Paraná vai plantar mais soja este ano
Vânia Casado
De Londrina
O quadro de plantio da safra de verão 99/2000, que apontava uma leve redução na área ocupada com soja deve ser alterado no Paraná. A expectativa agora é que ocorra até um pequeno aumento de área em relação ao ano passado. O motivo dessa reversão é a quebra da safra de soja norte-americana que foi maior do que todas as estimativas feitas anteriormente. O impacto da redução da safra norte-americana será de alta e previsão de redução ainda maior nos estoques mundiais.
O relatório do USDA, divulgado ontem, aponta uma quebra de 2,3 milhões de toneladas na safra americana, cujo resultado final deverá ser inferior à produção do ano passado. A estimativa do USDA divulgada em setembro previa uma safra de 75,61 milhões de toneladas de soja e a de outubro apontou um recuo para 73,37 milhões de t. Para se ter uma idéia, no ano passado a produção de soja dos EUA foi de 74,6 milhões de t. A quebra foi provocada pela estiagem que atingiu as lavouras na fase de desenvolvimento das plantas.
O interessante é que os relatórios anteriores divulgados pelo USDA não detectavam essa quebra acentuada.
Para Flávio Turra, assessor econômico da Ocepar, o impacto do relatório será de alta na cotação da soja na Bolsa de Chicago, com reflexos no mercado interno. Ontem a Bolsa de Chicago teve uma pequena reação de de 2,5 pontos, passando para US$ 4,91 por bushell. No mercado interno, a soja está sendo comercializada acima de R$ 20,00 a saca no atacado e entre R$ 18,00 a R$ 19,00 a saca, ao produtor. Cerca de 90% da safra já foi comercializada e não está mais nas mãos do produtor, destacou.
Segundo Turra, o impacto da quebra de safra norte-americana e a estiagem que continua preocupante no Paraná devem acelerar a definição dos produtores em plantar a soja. O plantio de milho está muito lento, com apenas 36% da área plantada, e os produtores devem optar pelo plantio de variedades de ciclo curto de soja. Com isso poderão investir tudo na safrinha de milho, no ano que vem.
As chuvas que cairam de forma generalizada em todo o estado nos últimos dias, não foram suficientes para por fim à estiagem que persiste por mais de dois meses. Em algumas regiões choveu com mais intensidade, porém em outras não choveu nada, disse a engenheira agrônoma do Deral, Vera Zardo. A técnica observa que o retorno ao plantio vai ocorrer onde as chuvas foram mais intensas, já que em algumas localidades a situação permanece crítica. O Simepar não prevê novas chuvas nos próximos dias. A tendência, até a semana que vem, é de aquecimento e tempo bom.





