Paraná vai plantar mais milho este ano
Vânia Casado
De Curitiba
Apesar da tendência dos produtores em plantar mais milho do que soja na safra 99/2000, em algumas regiões se houver mudança de soja para milho, a alteração será mínima. Pelo menos nas regiões Norte e Norte Pioneiro, os produtores plantaram muito milho durante a safrinha e agora, na safra de verão, devem plantar a soja, até para obedecer a regra da rotação de culturas. Com isso cada vez mais se consolida a tendência do produtor paranaense de plantar variedades precoces de soja durante a safra de verão, e plantar o milho na safrinha.
A avaliação é da engenheira agrônoma Vera Zardo, do Deral, com base em sondagem preliminar com os núcleos da Seab. Ela afirmou que na área geral do Paraná, o plantio de milho pode até superar a área plantada com soja, confirmando-se como carro chefe da safra de verão 1999/2000. Mas não devem ocorrer grandes mudanças, insistiu. A área plantada no Paraná deverá se manter em torno de 6 milhões de ha. Segundo o Deral, na safra 98/99 o plantio de milho ocupou 1,53 milhão de ha e a soja, 2,77 milhões de ha.
Segundo as especulações sobre intenção de plantio feitas junto ao produtor, deve crescer um pouco a área plantada com algodão e o feijão também deve perder área de plantio para o milho. Para o assessor econômico da Ocepar, Flávio Turra, a tendência dos produtores esse ano é usar menos tecnologia em função do aumento nos preços dos insumos. Segundo o técnico, os produtores estão estimulados a optar pelo milho em função da manutenção de preços favoráveis para o grão e falta de perspectivas de reação no preço da soja no mercado internacional.
Na safra passada, o algodão ocupou apenas 49.000 ha e a tendência esse ano é aumentar um pouco a área, acredita Zardo. Segundo ela, a produtividade da lavoura anterior foi boa, em torno de 2.200 kg/ha, e o preço se sustentou acima do preço mínimo mesmo durante o período de safra. Além disso houve reajuste no preço mínimo de R$ 7,00 para R$ 8,00 a arroba, que certamente vai manter os produtores tradicionais na cultura, afirmou Turra. Já o feijão deve ter redução na área de plantio em função da frustração ocorrida na segunda safra e com a queda de preços. Desde janeiro o preço do produto vem caindo e hoje está cotado a R$ 22,00 no mercado.
Preocupada em proporcionar ao produtor informações sobre a rentabilidade das culturas para a safra de verão, a Faep está organizando uma teleconferência para o próximo dia 5. Os analistas da agência de consultoria Safras e Mercados farão uma exposição sobre o mercado de cada produto como milho, soja, arroz, feijão, trigo e pecuária. Para o presidente da entidade Ágide Meneguette, é necessário inverter o raciocínio.
A Faep quer orientar o produtor no plantio, com base nas expectativas futuras, e não em função do comportamento do mercado no passado. Com isso evita o excesso de plantio de determinado produto num ano. E se todos plantarem milho, como fica? É claro que o preço cai, observou. Meneguette disse ainda que para a safra do ano 2.000 será marcada por grandes mudanças que estão ocorrendo no mercado, que devem ser consideradas na hora do plantio. Ele citou como exemplo, a possibilidade de queda mais acentuada no preço da soja, a dúvida em relação aos produtos transgênicos e o aumento dos subsídios para a soja nos Estados Unidos.





