O plantio de feijão da seca no Paraná, que será intensificado a partir do dia 20, deverá ocupar uma área 20% maior do que no ano passado. O motivo é a euforia dos produtores com os preços estimulantes alçançados com a comercialização do feijão das águas, mesmo durante o período de safra. Na região de Ponta Grossa, onde as cooperativas Batavo e Castrolanda induzem o plantio tecnificado, o aumento da produção pode alcançar até 50%.
A área estimada pelo Departamento de Economia Rural deverá ocupar 110.300 hectares. No ano passado, a área plantada com esta cultura foi de 92.500 hectares. Só na região de Ponta Grossa, a área plantada pode alcançar 30.000 hectares. Nesta região, os produtores vinculados às cooperativas fazem um controle maior de pragas. Com o maior uso de tecnologia, a expectativa é alcançar uma produtividade acima de 2.000 quilos por hectare, superior a média da região na safra normal que atinge 1.800 quilos por hectare.
Outra região que o plantio de feijão das secas está se desenvolvendo acima das expectativas é Jacarezinho. A previsão é que o plantio ocupe 17.000 hectares na região. Se as condições de clima forem normais, o Deral está projetando um crescimento de 25% na produção, devendo passar de 110 mil toneladas colhidas na safra passada, para 138 mil toneladas na safra 98/99.
Toda essa euforia, entretanto, pode não se concretizar em bons negócios como estão esperando os produtores, alertou o corretor Marcelo Luders, da Correpar. Isso porque, assim como o Paraná está ampliando o plantio de feijão das secas, outras regiões produtoras como Goiás, Minas Gerais e Bahia também ampliaram a área plantada, com base na mesma perspectiva de mercado. Hoje, a expectativa do mercado está recaindo sobre a região de Irecê, na Bahia. A região passa novamente por período longo de estiagem e se não chover em 10 dias, poderá haver uma quebra razoável, especula o mercado. A região prevê colocar em torno de 60.000 toneladas de feijão carioca este ano no mercado.
Luders alerta o produtor a diversificar o plantio de feijão das secas. ‘‘ O produtor deve mesclar o plantio de feijão de cor e preto, para equilibrar a comercialização’’, justificou. Atualmente o produtor está recebendo entre R$ 60,00 e R$ 65,00 a saca de feijão carioca, quase 100% acima da comercialização ocorrida em janeiro do ano passado quando o produtor vendia sua produção entre R$ 28,00 e R$ 30,00 a saca. Se o clima continuar colaborando, a previsão é que haja uma baixa nestas cotações quando começar a colheita em outras regiões do país, disse.

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