No Paraná deve prevalecer o pagamento em dinheiro para quitar a primeira parcela da securitização que vence hoje, ao contrário da região Centro-Oeste do País onde deve predominar o pagamento em produto. O pagamento em produto foi autorizado pelo Banco Central conforme decisão divulgada na última terça-feira.
A previsão é do gerente de crédito rural da Superintendência do Banco do Brasil no Paraná, Bruno Schauff. Ele acredita que são poucos os que devem optar pelo pagamento em produto já que, na maioria das regiões do Estado, o preço do milho (produto convertido para equivalência produto na época da securitização) estava acima do preço mínimo.
Milho Segundo o Deral, o milho no Paraná já superou o preço mínino e ontem estava sendo vendido a R$ 6,86 a saca na média do Estado, que representa R$ 0,15 acima do preço mínimo. São poucas as regiões onde a comercialização está abaixo do mínimo, afirmou Norberto Ortigara. Mesmo assim não vale a pena entregar o produto nos armazéns credenciados, arcando com custos de transporte, classificação e secagem, avaliou. Ele destaca que a diferença é tão pequena que vale a pena o produtor vender o milho no mercado e pagar em dinheiro mesmo.
Para Schauff, o movimento nas agências do BB ontem em todo o Estado estava tranquilo. O BB é o maior credor das dívidas securitizados e deverá receber R$ 126 milhões em pagamento da primeira parcela de uma dívida total de R$ 860 milhões que deverá ser saldada em sete anos. Ele adiantou que eram mínimos os pedidos de prorrogação dos débitos e de revisão dos cálculos. Esse quadro demonstra uma atitude positiva dos produtores que estão saldando seus débitos no dia marcado.
Schauff elogiu a atitude da Faep que recomendou o pagamento dos débitos, classificando o gesto como uma atitude madura e que reverte totalmente aquela imagem antiga de inadimplência dos produtores rurais.
Segundo o BB, a inadimplência da safra passada foi de 0,59% - a mais baixa dos últimos anos -, o que reflete a disposição do produtor rural de honrar seus pagamentos. Para Bruno Schauff, esse comportamento certamente será analisado nas futuras concessões de crédito para o setor.
A Federação da Agricultura do Paraná (Faep), através do seu presidente, Ágide Meneguette, sugeriu aos agricultores que paguem a dívida para, depois, se for o caso, questionar o débito, exigir recálculo, etc. A entidade vinha defendendo a renegociação da dívida e teve um papel importante em todas as etapas do processo de securitização, há mais de três anos. Entretanto, quando viu esgotada a possibilidade de renegociar, preferiu aconselhar o pagamento, defendendo a imagem dos agricultores que sempre souberam honrar seus compromissos.

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