O Paraná vai exportar 50 mil toneladas de trigo nos próximos dias. Em iniciativa inédita, um pool de 20 cooperativas do Estado se reuniu para vender o produto ao mercado externo. É a primeira vez que o Brasil exporta o cereal. A intenção das empresas é ofertar o grão ao mercado internacional e, assim, conseguir paridade de exportação para o produto brasileiro.
''É a mesma coisa que aconteceu com o milho no ano passado'', comentou Nelson Costa, superintendente do Sindicato e Organização das Cooperativas Paranaenses (Ocepar). Ele informou que as cooperativas não concordam que as indústrias paguem menos pelo trigo nacional. A exportação seria o caminho para garantir liquidez à produção.
A Argentina é o grande fornecedor de trigo para o Brasil, com mais de 95% das importações. Hoje, o trigo importado da Argentina desembarca no porto de Paranaguá entre R$ 560,00 e R$ 570,00 a tonelada.
No Paraná, o mercado está parado. Há duas semanas, as cooperativas que detêm 80% da produção do Estado suspenderam as vendas para evitar que o excesso de oferta derrubasse ainda mais os preços, que chegaram a R$ 390,00 por tonelada. No início da safra, a cotação chegou a R$ 500,00.
A expectativa é que o mercado volte a fluir com as primeiras exportações. ''Esta primeira carga deve estimular outros negócios'', opinou Costa. A carga foi vendida para países do Leste Europeu, que aprovaram a qualidade do trigo brasileiro. ''O trigo paranaense é tão bom quanto o internacional. Se vai haver exportação, é porque o comprador aprovou'', disse ele, que não divulgou o valor negociado. Outro fator que favorecerá a fixação de preços é a venda total dos contratos de opção ofertados pelo governo para janeiro.
Em boletim divulgado ontem, o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, lembrou que os produtores, em acordo com o governo federal e a indústria, assumiram o compromisso de aumentar a produção interna para diminuir o déficit brasileiro. Ele afirmou que os produtores e cooperativas cumpriram a parte que lhes cabia nesse acordo e a produção nacional de trigo este ano deve chegar a 5,1 milhões de toneladas, o que corresponde a 50% do consumo interno. ''O problema é que a produção não está encontrando mercado e preço compatível no Brasil.''
Uma das empresas que venderá trigo ao exterior é a Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), de Campo Mourão. Antônio Garcia, assessor de comercialização da empresa, comentou que a exportação de trigo será uma boa saída para a crise da triticultura nacional.
Segundo ele, já houve reação no mercado interno. A Coamo, por exemplo, esta semana fez uma venda de cinco mil toneladas de trigo no mercado nacional a US$ 162,00 por tonelada, contra uma média de US$ 130,00 que vinha sendo praticada anteriormente. O Paraná responde por 60% da produção nacional e vai fechar o ano com a oferta de 2,8 milhões de toneladas.

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