Edson GuittiVontade políticaGreca diz que o País pode ‘plantar combustíveis’ se o governo federal garantir política que apóie o setor O Paraná, segundo maior produtor nacional de álcool combustível, com 1,3 bilhão de litros anuais (10% da produção nacional), será um dos coordenadores do novo programa nacional do álcool, que está sendo concluído pelo governo federal. Os detalhes da participação do Paraná neste programa serão anunciados até o final deste mês pelo governador Jaime Lerner. A informação ‘‘vazou’’ durante a abertura, ontem, em Maringá, do Simpósio Internacional da Cana-de-Açúcar, promovido pelas universidades Federal do Paraná e Estadual de Maringá e Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcoopar).
O secretário estadual de Planejamento, Rafael Greca, na abertura do encontro, disse que o ‘‘Brasil pode plantar combustível, empregando seus pobres no campo, se tiver uma política eficiente de zoneamento agrícola e uma política do governo federal que apóie o setor. Podem estar certos que causaremos inveja aos americanos’’.
Um integrante do governo estadual, que pediu para não ser identificado, disse que a decisão de fazer renascer o Programa Nacional do Álcool se deve à ameaça de uma nova alta no preço internacional do barril de petróleo, que deverá subir de US$ 30 para US$ 35. Desta vez, garantiu a fonte, o programa do álcool estará integrado com diversos estados, principalmente Pernambuco, São Paulo e Paraná. Em Recife, São Paulo e Curitiba já estão rodando seis ônibus movidos a álcool, com tecnologia de ponta implantada pelas fábricas Mercedes Benz e Scânia. A Volvo está entrando agora neste mercado.
Além desses fatores, enumera a fonte, a Cetesb está elaborando um estudo de mistura do álcool ao óleo diesel, que reduziria as emissões de poluentes em até 40%. Segundo a fonte, os Estados Unidos começaram a produzir álcool combustível há apenas quatro anos e já atingiram a marca dos 100 bilhões de litros anuais, a metade da produção brasileira.
O presidente da Alcoopar, Hermeto Barea, lembrou que o álcool tem uma participação de 19% na venda de combustíveis no país.‘‘Se a gasolina acabar de repente no país, teremos de quintuplicar a produção de álcool. Por isso temos que trabalhar com rapidez e eficiência’’.
O simpósio aberto ontem em Maringá vai discutir, até amanhã, novas técnicas de colheita mecanizada e o transporte da cana-de-açúcar e seus efeitos na compactação dos solos.

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