Em um café da manhã nesta quinta-feira em Curitiba, o governador Beto Richa (PSDB) vai assinar o convênio para implantar no Estado o Programa Modernizando a Gestão Pública (PMGP), iniciativa do Movimento Brasil Competitivo (MBC) já realizada na Prefeitura de Londrina. O fundador do MBC, o empresário gaúcho Jorge Gerdau Johannpeter, estará presente na solenidade.
Entre as propostas para o governo paranaense, estão o aumento da receita e a redução das despesas. Segundo o secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Ricardo Barros, o programa será financiado por empresários paranaenses. O custo total será de R$ 17 milhões. ''Já temos 11 empresários que se comprometeram a doar R$ 3 milhões para a primeira etapa, que é o Programa Matricial de Despesas. Vamos em busca de outros financiadores para conseguirmos o valor integral'', conta.
De acordo com Barros, a iniciativa privada passará os recursos para o MBC que vai contratar as consultorias para atuarem no governo. Entre outros, segundo o secretário, serão feitos programas de atração de investimentos, de melhoria da receita e uma auditoria na folha de pagamento.
O MBC realizou o primeiro PMGP no governo de Minas Gerais, ainda na gestão do governador Aécio Neves. Depois, implementou o programa em vários outros Estados e prefeituras, incluindo a de Londrina.
Na cidade, o projeto foi totalmente financiado por cerca de 130 empresários que aportaram pouco mais de R$ 2,5 milhões para implementá-lo. Realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) e pelo MBC, o programa alcançou um resultado de R$ 78 milhões entre aumento de arrecadação e redução de despesas.
Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho, os empresários não se arrependeram, mesmo com denúncias de corrupção na atual administração e constantes trocas de secretários municipais. ''Valeu a pena. Londrina foi a cidade do País que mais conseguiu mobilizar empresários para este projeto'', destaca.
De acordo com Benvenho, os empresários ficaram preocupados com o comprometimento do projeto em virtude das denúncias, mas não deixaram de fazer suas contribuições. ''Graças aos resultados deste trabaho é que a Prefeitura conseguiu realizar obras como as de asfalto. E, além do mais, os servidores municipais foram treinados e esse conhecimento que eles adquiriram será para sempre. Não é dinheiro jogado fora'', acredita.
Diretor de Ciência e Tecnologia do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) até dia 25 de maio, o empresário Marcus von Borstel ressalta o fato de que a iniciativa privada local criou o Movimento Londrina Competitiva (MLC), que funcionou como intermediário entre o MBC e a Prefeitura. ''Com isso, foi possível reduzir em até 40% o valor do projeto, já que o MLC assumiu a parte logística de deslocamento, alimentação e hospedagem dos consultores'', diz.
Borstel lembra que a estimativa inicial do programa era obter R$ 35,4 milhões em resultados com otimização da receita e redução de despesas. ''Quando chegamos na fase de implementação, já tínhamos subido nossa expectativa para R$ 59 milhões e, por fim, atingimos quase R$ 79 milhões'', destaca.
Ele nega que seu recente desligamento da administração municipal tenha relação com as denúncias de corrupção. ''Saí porque este é um ano eleitoral e temia que isso pudesse comprometer a minha articulação com os empresários'', declara. Segundo o ex-diretor, o prefeito Barbosa Neto (PDT) pediu a ele que continue colaborando com o programa.
Borstel admite que o troca-troca de secretários na Prefeitura ''gerou certo grau de dificuldade'' para o projeto. ''Mas essa dificuldade foi superada porque o Movimento Londrina Competitiva estava junto fazendo a coordenação e atualizando os novos secretários a respeito do programa'', alega.

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