Paraná vai colher 6 mil toneladas de canola
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terça-feira, 26 de agosto de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A safra de canola que começou a ser colhida em agosto no Paraná deve render seis mil toneladas. Toda essa produção será transformada em óleo e farelo pela Cocamar Cooperativa Agroindustrial, de Maringá, a única fornecedora de sementes do Estado. Os híbridos, segundo José Roberto Gomes, gerente do departamento técnico, são importados do Canadá, de onde a planta é originária.
Interessada em aumentar sua participação no mercado nacional de óleo de canola, a Cocamar fornece as sementes e garante a compra da produção com preço fixado antecipadamente. O objetivo é estimular o produtor a investir na cultura e, assim, aumentar a área plantada. A meta da cooperativa é atingir 10 mil hectares em três anos.
Ao final desta safra, os agricultores devem receber R$ 34,00 ou US$ 10,00 pela saca, de acordo com opção feita em contrato fechado no início do plantio. ''É mais uma cultura de inverno para os produtores da região'', comentou.
Em 2003, a Cocamar deve produzir duas mil toneladas de óleo de canola. Como a planta industrial é a mesma utilizada para esmagar e refinar soja e caroço de algodão, que são industrializados em maior volume, há capacidade para aumentar essa produção em até três vezes. ''O mercado tem condições para absorver o crescimento'', afirmou José Cícero Aderaldo, gerente comercial de grãos.
A canola é uma versão de colza (planta oleaginosa) melhorada geneticamente. ''Não é transgênica'', esclareceu Gomes. A planta original, segundo ele, possui ácidos impróprios para consumo humano. Também não é adequada para alimentação animal, na forma de farelo, porque tem sabor desagradável. Ele informou que 40% da canola processada resulta em óleo. Os 56% restantes são transformados em farelo. No caso da soja, 20% resultam em óleo e 74% viram farelo.
Uma das grandes produtoras de canola do Estado é a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, que este ano cultivou de 2,1 mil hectares. A área corresponde a 22% do total cultivado pela empresa durante o inverno, que inclui também 2,3 mil hectares com milho safrinha, 2,06 mil hectares com aveia preta e 3,13 mil hectares com trigo.
A área deste ano foi a maior plantada pela empresa desde 1986. Com relação a 2002, o crescimento foi de 80%. A colheita, que se iniciou neste mês, deve prosseguir até outubro. A produtividade esperada é de 20,7 sacas por hectare, segundo informou o engenheiro agrônomo Nilo Sérgio Richini, gerente de negócios e grãos da Companhia.
Para ele, a canola é uma boa opção de inverno, especialmente porque tem apresentado desenvolvimento satisfatório na região do arenito. ''Não é em todo lugar que se pode plantar milho safrinha. Aí é que a canola se torna interessante, pois, além de dar boa cobertura ao solo, garante lucros'', diz.
Na rotação de culturas, a canola pode entrar após a soja sem qualquer prejuízo à safra de verão. As máquinas para plantio e colheita são as mesmas utilizadas nas lavouras de soja.


