Paraná vai certificar produto não-transgênico
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terça-feira, 23 de março de 1999
Vânia Casado 
O Paraná quer emitir certificado, com credibilidade internacional, para produtos agrícolas não-transgênicos. Com isso pretende assegurar mercados que resistem à compra desses produtos, como a França, por exemplo. A informação foi dada ontem, pelo secretário da Agricultura, Antonio Leonel Poloni, quando anunciou os novos rumos que vão nortear os programas da Secretaria da Agricultura. Segundo o secretário, a política paternalista de distribuição de insumos e subsídios será substituída pela política que prega a profissionalização e capacitação do agricultor.
Poloni disse que no final do mês, o governador Jaime Lerner vai assinar um convênio com o governo francês, que permite a ida de técnicos da Claspar, que serão treinados naquele país para fazer a classificação de produtos não-transgênicos. Com esse treinamento, os técnicos estarão capacitados a emitir o certificado, que terá a credibilidade internacional, explicou.
O secretário frisou que o Estado não é contra a pesquisa com soja transgênica, nem contra a modernização da pesquisa. Mas lembrou que se a soja transgênica for liberada no país, o assunto terá que ser discutido com exportadores, cooperativas e produtores para saber se o mercado externo está disposto para comprar o produto.Além disso, o produtor terá que ser orientado pelos fabricantes ou simpatizantes do produto transgênico sobre a comercialização, já que mercados como a França restringem a entrada desses produtos, alertou.
Nova mentalidadeAo falar sobre a mudança de rumo dos programas da Seab, Poloni defendeu a necessidade de mudança de mentalidade por parte de produtores e técnicos, onde será priorizado o aprendizado de novas técnicas que aumentam a produtividade. O secretário disse que a política de apoio ao pequeno agricultor será mantida e que esse ano o governo do Estado deverá aplicar R$ 37 milhões, em recursos do programa Paraná 12 Meses, nos programas de profissionalizalição, sanidade e agroindústrias.
Para o programa de profissionalização e capacitação estão previstas várias ações que serão executadas através do Conselho Estadual de Profissionalização Agrícola, que será criado pelo governador nos próximos dias. Entre elas, está a criação do Faxinal da Terra, uma área de 150 hectares em Umuarama, onde será implantado um Centro Agrotécnico. Também serão criados 90 centros agrojuvenis, onde jovens entre 14 e 15 anos terão acesso a informações tecnológicas sobre o meio rural. A meta é atingir 50 mil jovens em cinco anos.
Para os programas de profissionalização e capacitação está prevista a aplicação de R$ 1,3 milhão em recursos do Tesouro Estadual, que começam a ser liberados agora, segundo informações do diretor geral da Seab, Norberto Ortigara. Para o programa de agroindústria, Ortigara informou que os recursos serão captados pela Agência de Fomento e o governo do estado deverá apoiar com a equalização da taxa de juros ou Fundo de Aval, para tornar os empreendimentos viáveis.


