O comércio irregular de produtos agrotóxicos, contrabandeados do Paraguai, está recorrendo a uma nova estratégia para burlar a fiscalização. Conforme as denúncias que estão chegando à Secretaria da Agricultura, o contrabando é feito pelos sacoleiros, o comércio ‘‘formiga’’, na Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. Esses produtos não têm registro e estão sendo aplicados de forma irregular nas lavouras, colocando em risco a saúde de consumidores e produtores pelo uso inadequado.
Confirmadas as denúncias, os infratores, no caso produtores que usam os produtos, podem ser enquadrados por crime doloso e punidos, alertou Alvir Jacob, engenheiro agrônomo da Secretaria da Agricultura. No caso dos produtores, eles poderão ser multados em até R$ 16 mil ou então ter a lavoura destruída.
Ameaça Várias pessoas que conseguiram detetar o problema foram ameaçadas de morte, caso formulassem a denúncia de contrabando. Na verdade, o mercado de produtos agrotóxicos é muito atraente e gera muitos interesses com a movimentação de US$ 1,8 bilhão no País. O Paraná se destaca como o segundo maior consumidor de agrotóxicos e por aqui os negócios giram em torno de US$ 500 milhões a US$ 700 milhões por ano, segundo estimativa da Seab.
Os produtos contrabandeados estariam entrando de várias formas, sendo que as cargas maiores pelas vias já conhecidas como por avião ou nas cargas de caminhões. No comércio ‘‘formiga’’ cada sacoleiro estaria trazendo um ou dois litros de agrotóxicos, cada vez que atravessam a Ponte da Amizade, ou em outras cidades como Guaíra. Os produtos contrabandeados, na maioria, são herbicidas indicados para as lavouras de trigo. Agora que a lavoura de trigo está para ser colhida, começam a ser contrabandeados herbicidas para serem aplicados nas lavouras de soja. A principal atração é uma diferença de preço da ordem de 30% entre o produto nacional e o contrabandeado do Paraguai.
Existem produtos contrabandeados com o mesmo nome e princípio ativo de produtos fabricados no Brasil, mas não são fabricados aqui e por isso não atendem as exigências da legislação brasileira, explicou Jacob. Ele apontou como exemplo o inseticida Bulldogck, produzido pela Bayer, que é fabricado aqui e também em outros países. Mas isso não significa que o produto possa ser usado aqui se não passou pelo crivo da legislação brasileira, justificou.

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