Paraná terá safra recorde de trigo
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sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O clima colaborou e o Paraná deverá colher uma das maiores safras de trigo já registradas. Estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, indicam uma produção de 3.050 milhões de toneladas, volume 58% maior do que o colhido na safra anterior. Este aumento, favorecido pelo crescimento de 36% na área plantada, ocorreu também pelo incremento na produtividade, considerada um marco pelo Deral. O rendimento médio está estimado em 2.690 quilos por hectare ante uma média paranaense de 2.240 kg/ha registrada nas últimas 5 safras.
Cerca de 80% das lavouras já foram colhidas. Nas Regiões Centro-Oeste e Oeste a safra foi encerrada e, no Norte, está em finalização. A região que obteve maior produtividade foi a Sul, onde o Deral estima rendimento superior a 2,9 mil quilos por hectare. ''A ocorrência de chuvas no Sul durante as últimas semanas e a previsão de continuidade nos próximos dias está preocupando os agricultores porque pode causar redução na quantidade e na qualidade dos grãos'', afirma Otmar Hubner, engenheiro agrônomo do Deral. O Paraná é responsável por 52% da produção nacional, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento em 5,8 milhões de toneladas.
O aumento na área plantada foi estimulado, em parte, pelos bons preços do grão atingidos no ano passado. Mas, em 2008, o cenário foi invertido e desde janeiro o grão acumula mais de 20% de quedas nos preços praticados no Paraná. Agora, neste cenário de crise financeira global e com a apreciação do dólar frente ao real, a expectativa é de um aumento nos preços. ''Mesmo assim a cotação do trigo depende de dois fatores: redução da oferta nacional e valorização do dólar'', avalia Margorete Demarchi, engenheira agrônoma do Deral. Aliás, o Rio Grande do Sul - segundo maior produtor nacional do grão - está enfrentando problemas nesta safra.
Segundo Elcio Bento, analista de mercado da Agência Safras e Mercados (empresa privada de análises do agronegócio), aquele Estado está enfrentado problemas, porém ainda não confirmados. Ele explica que cerca de 10% das lavouras - estimada em 2,2 milhões de toneladas - está no período ''pronto para colheita'', mas há chuvas e ocorrências de granizo em regiões localizadas. ''Temos suspeitas e é quase certo de que haverá perdas qualitativas (nos grãos) provocadas pela intensidade e pela quantidade de chuvas'', comenta. No entanto, a extensão das perdas serão conhecidas somente depois da colheita, quando forem feitas análises laboratoriais dos grãos.
Neste caso, o problema é que os produtores receberão menos pela safra. Isso ocorre porque, dependendo da qualidade, os grãos não são utilizados pela indústria de panificação e, por isso, são destinados à ração animal. Apesar disto, Bento afirma que a colheita gaúcha será boa e ainda assim melhor do que a registrada nos últimos dois anos quando foram colhidos 1,5 milhão de toneladas (2008) e 705 mil toneladas (2007). Ele avalia que a crise financeira provocou uma redução nos preços das commodities em todo o mundo. No entanto, a apreciação do dólar no Brasil ''neutralizou'' esta queda.
''No mercado interno os preços caíram devido à entrada da safra paranaense'', diz o analista. Na sua avaliação, as cotações devem ter recuperação a partir do final deste ano mas a tendência é que os preços fiquem ''mais firmes'' a partir do segundo trimestre do próximo ano.


