Curitiba Os produtores paranaenses poderão dispor de R$ 4,58 bilhões para o financiamento da safra 05/06, nas agências do Banco do Brasil. O anúncio foi feito ontem, em Umuarama, pelo vice-presidente de Agronegóicos do BB, Ricardo Conceição. O valor anunciado representa um aumento de 5,85% em relação aos recursos aplicados no ano passado.
O financiamento da safra envolve as linhas de crédito para custeio, investimento e comercialização. Desse total, R$ 768 milhões serão aplicados na Agricultura Familiar. A expectativa é superar o número de 130 mil famílias atendidas na safra passada.
O volume de recursos foi comemorado com cautela pelo setor produtivo. Na Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), a argumentação é que o anúncio veio atrasado. Tradicionalmente, o BB liberava os recursos para o financiamento da safra entre junho e julho, período de pré-custeio que permitia ao produtor comprar os insumos fora do período de pico, disse o assessor da entidade Carlos Augusto Albuquerque.
Para a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o volume anunciado ainda é insuficiente para atender as necessidades de custeio e comercialização da safra paranaense. Segundo o assessor Robson Mafioletti, são necessários pelo menos mais R$ 2 bilhões para equilibrar os recursos disponíveis com a demanda. ''Este ano, o que mais o agricultor precisa é de crédito'', afirmou.
Segundo a Ocepar, o BB atende 70% do financiamento da safra no Paraná. Outros 30% devem ser complementados com recursos de cooperativas de crédito e bancos particulares. A entidade defende a liberação de R$ 8,6 bilhões ao Estado, que corresponde à 20% ao volume anunciado pelo Ministério da Agricultura que programou investimentos de R$ 44,3 bilhões para a safra 05/06 no País.
Para Albuquerque, da Faep, a preocupação é com as dívidas dos produtores contraídas na safra passada, que ainda estão sem solução. Essas dívidas, mesmo que prorrogadas, podem limitar a capacidade de financiamento do produtor no banco, observou. Para ele, a consequência dessa restrição será o uso de baixa tecnologia nas lavouras, que vai reduzir a produtividade e a rentabilidade do agronegócio.
Segundo o BB, na agricultura empresarial, grande parte dos recursos será disponibilizada a taxas fixas de 8,75% ao ano e, na agricultura familiar, as taxas são fixas em 3% ao ano. O banco informou que as agências já têm licença para operar os financiamentos.
Ainda em Umuarama, Conceição renovou o convênio Arenito Nova Fronteira, que atende os municípios da região noroeste do Estado, abrangidos pelo Arenito Caiuá. Nesta safra, serão destinados para o convênio R$ 280 milhões, o que resulta num incremento de 8% em relação ao aplicado na safra 2004/2005. Desde o início do convênio, em 2001, já foram aplicados R$ 1,06 bilhão.

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