Carmem Murara
De Curitiba
No ano 2020, o Paraná terá 11,3 milhões de ha bitantes, o que representa um crescimento de 21% sobre a atual população formada por pouco mais de 9 milhões de paranaenses. A estimativa foi feita ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), que se baseiam numa taxa anual de crescimento populacional que hoje é de 1,2% e que vai se reduz aos poucos até chegar em 0,59% daqui a 21 anos.
Estimativa, do IBGE e Ipardes, indica crescimento demográfico de 21%. Taxa anual de expansão é de 1,2%
A projeção dos dois institutos foi apresentada ontem, na sede do Ipardes, durante a divulgação de um estudo que tomou como base os dados do censo de 1991 e da atualização dos números feita em 96. Para estimar o aumento populacional, os pesquisadores tomaram como base três variantes que são as taxas de mortalidade, natalidade e migração. A conclusão é que o Estado reduzirá os níveis de mortalidade infantil e que a expectativa de vida das pessoas aumentará. Os números apurados no último censo já indicaram um pouco esse comportamento.
Seguindo uma tendência nacional, a população paranaense reduz a cada ano o índice de mortalidade infantil. Os dados do IBGE e Ipardes mostram que, hoje, 19,85 crianças morrem antes de completar um ano de vida a cada mil nascimentos, sendo que eram 20,7 em 1996. No ano 2020, serão 15,18 mortes a cada mil crianças, conforme a estimativa.
Na questão do envelhecimento da população, a esperança de vida de um paranaense, que venha a nascer ainda neste ano, é chegar aos 70 anos, mas em 21 anos, as pessoas vão viver em média dois anos a mais, isto é, até os 72 anos. Para as mulheres, a expectativa de vida sobe de 73,5 para 75,6 anos, enquanto para os homens passa de 66,6 para 68,5 anos.
‘‘Com a redução da taxa de natalidade e aumento da perspectiva de vida haverá menos jovens e crianças, o que nos dará uma população mais envelhecida’’, afirmou a coordenadora da pesquisa de Projeção da População do Paraná, Marley Deschamps. A longevidade populacional também indica que os idosos corresponderão a 9% no ano 2020, enquanto hoje é de 5%.
Se por um lado teremos menos crianças e jovens, teremos um contingente muito grande de pessoas em idade ativa, disse a coordenadora da pesquisa. ‘‘Daqui a 20 anos haverá muita gente em idade para o trabalho, em função da alta fecundidade passada’’, afirmou Marley, ao se referir ao início da década.
Já a fecundidade da população paranaense, nos últimos anos, indica que os casais optam cada vez mais em reduzir o número de filhos, seguindo a tendência dos países desenvolvidos. A média de filhos por casal, em 96, era de 2,3 filhos, sendo que a projeção para 2020 é de 2,01 filhos.
A coordenadora da pesquisa disse ainda que o Paraná já reduziu os índices de migração, mas continua a perder habitantes para outros Estados. ‘‘O processo é mais lento, mas a migração ocorre, principalmente, entre a população que vive da agricultura’’, afirmou. O último censo feito em 1991 indicou que o Paraná cresceu 0,93% em população, na década passada, contra uma taxa de crescimento de 1,3% entre os anos de 91 e 96. O maior volume de migração ocorreu na década de 70, quando famílias de agricultores das regiões Oeste e Sudoeste trocaram o Paraná pelo Mato Grosso e pelo então recém-criado Estado de Rondônia.

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