Adenésio ZanellaAcordoOs governadores Puerta e Lerner assinam protocolo de intenções para estudo do gasoduto brasil-argentina Os governadores do Paraná, Jaime Lerner (PFL), e da Província de Misiones, na Argentina, Frederico Ramon Puerta, assinaram ontem em Puerto Iguazú, cidade argentina que faz fronteira com Foz do Iguaçu, um protocolo de intenções para implantação de um gasoduto ligando a Argentina ao Brasil. O gás, segundo os primeiros estudos, seria extraído de minas da Província de Salta (Norte da Argentina), divisa com a Bolívia. Essa região é rica na produção de gás natural.
O acordo para a implantação do gasoduto está sendo estudado por técnicos da Companhia Paranaense de Gás (Compagás) e das secretarias de Minas e Energias de quatro províncias argentinas: Misones, Chaco, Corrientes e Formosa. Segundo o governo, o estudo deve estar concluído até o ano que vem e a maior preocupação é com a questão do impacto ambiental. ‘‘Somente depois de um relatório aprovando a implantação do gasoduto, o governo deve autorizar a implantação do sistema’’, garantiu Lerner.
O presidente da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), Ingo Humbert, acredita que, após os estudos, as obras devem ser concluídas em 18 meses e devem custar metade do gasoduto entre Bolívia e Brasil, orçadas em cerca de US$ 2 bilhão. A extração e o transporte do gás devem entrar em operação entre 2001 e 2002.
Segundo a Copel, a produção e o transporte de gás da região de Salta deve chegar a 3,5 milhões de metros cúbicos, o suficiente para abastecer 100 indústrias automobilísticas do porte da Renault por 30 anos. Humbert informou que o gás deve abastecer exclusivamente as indústrias do Estado, além de fornecer matéria-prima para a produção de energia elétrica na Usina Termoelétrica de Figueira (a 125 quilômetros ao sul de Jacarezinho).
O protocolo assinado ontem ainda será subescrito pelos governadores da Província de Salta, Juan Carlos Romera - que já demonostrou interesse na venda do gás natural para as quatro províncias argentinas e para três estados brasileiros - e pelos governadores de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), e do Rio Grande do Sul, Antônio Britto (PMDB).
A sede administrativa para a redistribuição do gasoduto será em Curitiba e deverá beneficiar cerca de 20 milhões de brasileiros nos três estados do Sul e mais 3,5 milhões argentinos. ‘‘Esse acordo coloca o Paraná na rota do gasoduto do Mercosul’’, disse Lerner.
Fábrica de aviões O governador Lerner e comitiva da prefeitura de Arapongas viajam no dia 6 para a Polônia para negociar a vinda da fábrica de aviões PZL. A empresa tem intenção de se instalar no município, onde pretende fabricar aeronaves para pulverização de lavouras. Lerner deve apresentar a proposta do Estado para a empresa. Após visitar a Polônia, ele vai à Ucrânia, Noruega e França.
A viagem de Lerner foi aprovada ontem pela Assembléia Legislativa. O pedido de afastamento do País não incluiu a Noruega, o que deu origem a comentários de que o governador poderia estar mantendo negociações empresariais em sigilo. Lerner fica no exterior por dez dias. O encontro com a diretoria da PZL contará com a presença do secretário de Desenvolvimento Urbano e Rural de Arapongas, o vice-prefeito Sérgio Kummel. ‘‘A PZL quer saber o que o Estado pode oferecer’’, afirmou. Colaborou Carmem Murara, de Curitiba

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