O Paraná foi contemplado com somente duas obras na nova etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL), lançado ontem pelo governo federal com o objetivo de modernizar o sistema de transportes do País por meio de concessões a empresas privadas. A previsão do Ministério do Planejamento é de que o total de recursos alcance R$ 198,4 bilhões, entre rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
No Estado, serão R$ 103 milhões na autorização de um Terminal de Uso Privado (TUP) no Porto de Paranaguá e parte dos R$ 4,5 bilhões previstos para duplicação e melhorias no trecho da BR-476 entre Lapa e União da Vitória, que segue até as cidades catarinenses de Chapecó e Seara. O leilão da concessão do trecho de rodovias deve ser um dos primeiros, já que o processo começou em 2014. A proposta passa pelas rodovias BR-153, BR-282 e BR-480, além da BR-476.
No caso do TUP em Paranaguá, o arrendamento ficou para o segundo bloco, previsto para 2016, segundo o presidente da ABTP (Associação Brasileira de Terminais Portuários), Wilen Manteli. Ele conta que a licitação para esse terminal estava ocorrendo e foi anulada, assim como a de outros portos, por problemas técnicos e legais. Somente os de Santos e do Pará, que não foram cancelados, devem ser levados à frente neste ano. "Investidores existem e basta implementar as medidas com racionalidade, segurança jurídica e previsibilidade, na linhas dos discursos que ouvimos na apresentação, que vai dar certo", diz.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, afirma que a maioria dos investimentos deve ir para as regiões Norte e Centro-Oeste do País, que careciam mais de obras do tipo. "Boa parte das rodovias já são concessionadas no Estado." Campagnolo considera que as mudanças devem facilitar o fluxo de carga ao Porto de Paranaguá e reduzir o clima de pessimismo no País, mas se diz decepcionado com a falta de propostas para ferrovias no Estado. "Existe estudo que mostra que a ferrovia até o porto é economicamente viável, com retorno em até oito anos, mas preferiram a que liga o Centro-Oeste ao Norte e ao Oceano Pacífico por outros interesses."
Assessor econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo também esperava por investimentos ferroviários entre Guaíra e Paranaguá. Ele vê sinalização do governo de negociar por melhorias, ainda que de forma vaga. "A parte portuária nos alegrou bastante, porque existem 16 projetos prontos para uma licitação e basta que o governo federal dê mais agilidade a esse processo."
Mesmo com poucas obras na região, o economista da Faep vê um lado bom. "Não acredito que todos os projetos cheguem a ser implantados, mas mesmo outras ferrovias podem beneficiar indiretamente o trânsito de cargas para o Estado".

Falta de articulação


Para a integrante do Conselho Regional de Economia (Corecon) no Paraná Solídia Elizabeth dos Santos, faltou articulação política ao Estado para conseguir mais investimentos. "Avalio o programa como positivo porque a economia brasileira vem sofrendo pela falta de infraestrutura, mas vemos que os estados em volta foram beneficiados e ficamos no meio, sem muitas obras", diz.
A reportagem procurou a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística para comentar o plano, mas as assessorias informaram que as entidades ainda vão avaliar o programa.

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