As três montadoras que estão em fase de instalação na Região Metropolitana de Curitiba deverão provocar um aumento médio mensal de 15% na arrecadação tributária do Estado. Os resultados começarão a aparecer após os cinco primeiros anos de operação, quando vence o prazo de isenção fiscal dado às empresas através do Programa Paraná Mais Emprego. A receita líquida mensal do Estado é de R$ 270 milhões. O incremento na arrecadação vai ser de R$ 40 milhões.
Por enquanto, os departamentos estaduais e municipais envolvidos com a atração das indústrias afirmam ser difícil quantificar o atual aquecimento na economia, que já teria sido provocado. ‘‘Não podemos quantificar, mas sabemos que a vinda da Renault e da Audi criaram um clima muito favorável. As pessoas acham que o município está em crescimento’’, afirma o diretor do Departamento de Trabalho de São José dos Pinhais, Manuel Pacífico. Algumas pessoas já aproveitaram o anúncio da instalação da montadora francesa para vincular seu negócio ao nome da mais nova atração do município.
São José dos Pinhais receberá a Renault e a Audi/Volkswagen. A Renault investirá R$ 750 milhões, gerando até oito mil empregos diretos e indiretos. Já a Audi terá um investimento de R$ 800 milhões e uma geração de sete mil empregos diretos e indiretos. O número de empregos que podem ser criados foi levantado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). ‘‘Os números são bem mais modestos que os divulgados’’, afirma o economista Gilmar Lourenço, supervisor do projeto ‘Análise Conjuntural’ do Ipardes. Um dos maiores problemas dos municípios da Região Metropolitana é o desemprego, que atinge cerca de 12% da população economicamente ativa.
Mas nos três primeiros meses deste ano, 80,6% das pessoas que procuraram emprego através do Sistema Nacional de Empregos (Sine) conseguiram colocação no mercado. Mesmo com o aumento da oferta de emprego, o município não se ilude com a chegada das montadoras. ‘‘Sabemos que muitas vagas da Renault e da Audi serão preenchidas com gente de fora’’, diz Pacífico. Hoje, a renda per capita é de R$ 532,00, quase R$ 100 mais que em 95.
O aquecimento no comércio e na própria indústria local só será sentido a partir dos primeiros anos de atividade das grandes indústrias. Mas já há muita especulação comercial em cima da vinda das montadoras. ‘‘Os terrenos ao lado da Chrysler supervalorizaram’’, conta o secretário de Indústria e Comércio de Campo Largo, Emígdio Stoco. O terreno para a Chrysler foi desapropriado por R$ 3,60 o metro quadrado. Os terrenos vizinhos estão à venda por até R$ 15,00.
O secretário diz que tem recebido entre dois e três empresários por dia interessados em conhecer Campo Largo para investir. ‘‘Muitos deles, só para especulação’’, admite Stoco. Entre as empresas que têm interesse no município estão postos de gasolina, restaurantes e hotéis. A Chrysler deve ser a primeira montadora a iniciar a produção, em julho de 98. Renault e a Audi só devem operar no final de 98.

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