Paraná tem um milhão de empreendedores
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2002
Vânia Casado Equipe da Folha 
Curitiba No Paraná, cerca de um milhão de pessoas se dedicam ao empreendorismo como principal atividade econômica, das quais as regiões de Curitiba e Cascavel apresentaram a maior concentração de empreendedores. O crescimento do empreendedorismo nessas regiões está associado ao surgimento de novas empresas, principalmente nas atividades de bases tecnológicas.
Esse quadro faz parte de uma pesquisa sobre empreendedorismo no Brasil e no mundo, cujos resultados foram apresentados ontem pelo professor Marcos Schlemm, do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Paraná (IBQP). Ele foi um dos coordenadores do projeto GEM-Brasil (Global Entrepreneurship Monitor), que compara o nível de empreendorismo entre os países.
Na pesquisa realizada no ano passado, países como México, Nova Zelândia, Austrália e Coréia superaram o Brasil em taxa de empreendedorismo. Ao contrário dos demais países, a taxa de empreendedorismo no Brasil se deve mais à necessidade do que ao censo de oportunidades.
A pesquisa detectou que no Paraná e no Brasil a percepção da busca por novos negócios envolve uma em cada sete pessoas. Cerca de 14,2% da população brasileira, que corresponde a 16 milhões de pessoas estão envolvidas com negócio próprio. De acordo com a pesquisa, 66% desse total são empresas nascentes, até três meses de existência e 34% não consideradas novas empresas, com até 42 meses de existência.
A elevada taxa de empreendedorismo, no entanto, não garante a manutenção de novos empregos. No Paraná, se apenas 50% das novas empresas dessem certo e gerassem empregos, em três anos seriam criados 9 milhões de novos postos de trabalho, calculou Schlemm. Sua projeção sinaliza que no Brasil, empreendedorismo ainda está muito associado à falta de emprego, onde as pessoas acabam se dedicando a negócios próprios como alternativa econômica. Só que a elevada taxa de mortalidade das empresas frustram a tentativa de criar novos empregos, explicou.
Segundo Schlemm, faltam políticas públicas de suporte a essas iniciativas. Ele criticou a carga tributária excessiva, o elevado custo do capital e a dificuldade de acesso ao capital como fatores que cerceiam uma vida mais longa para os novos negócios.


