Curitiba – No Paraná, cerca de um milhão de pessoas se dedicam ao empreendorismo como principal atividade econômica, das quais as regiões de Curitiba e Cascavel apresentaram a maior concentração de empreendedores. O crescimento do empreendedorismo nessas regiões está associado ao surgimento de novas empresas, principalmente nas atividades de bases tecnológicas.
Esse quadro faz parte de uma pesquisa sobre empreendedorismo no Brasil e no mundo, cujos resultados foram apresentados ontem pelo professor Marcos Schlemm, do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Paraná (IBQP). Ele foi um dos coordenadores do projeto GEM-Brasil (Global Entrepreneurship Monitor), que compara o nível de empreendorismo entre os países.
Na pesquisa realizada no ano passado, países como México, Nova Zelândia, Austrália e Coréia superaram o Brasil em taxa de empreendedorismo. Ao contrário dos demais países, a taxa de empreendedorismo no Brasil se deve mais à necessidade do que ao censo de oportunidades.
A pesquisa detectou que no Paraná e no Brasil a percepção da busca por novos negócios envolve uma em cada sete pessoas. Cerca de 14,2% da população brasileira, que corresponde a 16 milhões de pessoas estão envolvidas com negócio próprio. De acordo com a pesquisa, 66% desse total são empresas nascentes, até três meses de existência e 34% não consideradas novas empresas, com até 42 meses de existência.
A elevada taxa de empreendedorismo, no entanto, não garante a manutenção de novos empregos. No Paraná, se apenas 50% das novas empresas dessem certo e gerassem empregos, em três anos seriam criados 9 milhões de novos postos de trabalho, calculou Schlemm. Sua projeção sinaliza que no Brasil, empreendedorismo ainda está muito associado à falta de emprego, onde as pessoas acabam se dedicando a negócios próprios como alternativa econômica. ‘‘Só que a elevada taxa de mortalidade das empresas frustram a tentativa de criar novos empregos’’, explicou.
Segundo Schlemm, faltam políticas públicas de suporte a essas iniciativas. Ele criticou a carga tributária excessiva, o elevado custo do capital e a dificuldade de acesso ao capital como fatores que cerceiam uma vida mais longa para os novos negócios.

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