Paraná tem R$ 48 mi para comprar milho
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quarta-feira, 16 de abril de 1997
Josiane Schulz Especial para a Folha 
ArquivoGarantindo preçosStefanelo: Dinheiro é suficiente para atender 30 mil agricultores do Estado O governo federal liberou na terça-feira mais R$ 298 milhões para a aquisição de milho em AGF, informou ontem o superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do Paraná, Eugênio Stefanelo. Os recursos são para a compra do milho destinado à antecipação do pagamento de 50% da primeira parcela da dívida securitizada - medida autorizada na semana passada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Segundo Stefanelo, o Paraná recebeu cerca de R$ 48 milhões, 16% do valor total. Os recursos estão liberados e toda a operação normatizada, portanto, os produtores que quiserem pagar com milho parte da dívida da securitização, que vence em outubro, já podem procurar as instituições financeiras públicas e privadas que trabalham com crédito rural, afirma. Stefanelo alerta que para efetuar a venda, o produtor deve apresentar o certificado de classificação e o recibo de depósito do produto em algum armazém credenciado à Conab. Ele lembra também que o prazo de encerramento é 30 de abril.
Stefanelo calcula que o valor destinado ao Estado seja suficiente para atender todos os produtores paranaenses com dívidas securitizadas. Ou seja, entre 25 e 30 mil agricultores. Com esse dinheiro dá para comprar pouco mais de sete milhões de sacas de milho, exemplifica.
Segundo o superintendente da Conab, essa medida tem o objetivo de facilitar a comercialização, mas, principalmente, fortalecer a consolidação do preço mínimo do milho. A intenção do governo com as compras em AGF e com os leilões é enxugar o mercado. Com a redução da oferta, os preços pagos ao produtor tendem a subir. E a prática tem dado certo, conforme Stefanelo. O preço do milho subiu de R$ 5 em fevereiro para R$ 6,50 hoje. Com as novas compras a tendência é que esse valor se estabilize em R$ 6,70 - valor mínimo fixado pelo governo.
O superintendente regional do Banco do Brasil de Londrina, Altino Ramos, acredita que não haja tanta procura por parte dos produtores. Ele alega que com as perdas do milho-safrinha, provocadas pela estiagem, acredita-se em preços melhores para o produto. Desta forma, muitos agricultores estão preferindo estocar para esperar uma possível valorização do milho, argumenta.
Empréstimos A Conab informou ontem que mais uma medida para agilizar a comercialização agrícola pode ser anunciada pelo governo na próxima semana. A medida, que está em fase final de estudo pela equipe econômica do governo, permite a utilização dos Contratos de Opção como garantia a ser apresentada nos bancos para concessão de empréstimos. Stefanelo explica que o produtor vai poder adquirir qualquer tipo de empréstimo bancário e apresentar o Contrato de Opção como caução.
São inúmeras vantagens, diz Stefanelo. Mas a principal delas é a facilidade. Para fazer um empréstimo em EGF, por exemplo, o produtor tem que apresentar como garantia o produto, que já deve estar armazenado, ou mesmo algum bem móvel ou imóvel. Nessas novas normas, basta apresentar o contrato de opção.
A medida é aplicada inicialmente ao milho, mas poderá estender-se a outras culturas, como o arroz, o trigo e o algodão. A medida prevê que o financiamento terá como base 80% do preço mínimo do milho - no EGF, essa porcentagem é 10 pontos menor. A data de vencimento do empréstimo será a mesma do contrato de opção e os juros previstos são de 12% ao ano.


