João Paulo dos Santos, ex-correspondente de financiamento imobiliário, voltou ao mercado de trabalho como corretor de imóveis
João Paulo dos Santos, ex-correspondente de financiamento imobiliário, voltou ao mercado de trabalho como corretor de imóveis | Foto: Marcos Zanutto



João Paulo dos Santos trabalhava na área de financiamento imobiliário, como correspondente de uma instituição financeira. Após cinco anos trabalhando nessa área, entretanto, Santos ficou desempregado. "Trabalhei cinco anos como correspondente. Mas, nos últimos tempos, devido à cota de financiamento, vários correspondentes fecharam, e eu também." Santos ficou por dois meses sem ocupação. Mas se de um lado o financiamento caiu, a locação de imóveis aumentou, ele diz. Assim, surgiu uma oportunidade de trabalho como corretor de imóveis em uma imobiliária.

Santos foi contratado em janeiro desse ano. Segundo apontou a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (17), a taxa de subutilização da força de trabalho no Paraná – índice que agrega os desocupados, os subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial – ficou em 17,6% no primeiro trimestre de 2018 e foi o quarto menor em todo o País, onde a taxa ficou em 24,7%.

A taxa de desocupação paranaense foi a quinta menor do País (9,6%), com queda de 0,7 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Assim, houve um acréscimo de 47 mil pessoas com ocupação no Estado (0,9%), enquanto o de pessoas sem ocupação teve queda de 43 mil pessoas (-7%). Em todo o País, a taxa de desocupação ficou em 13,1% no primeiro trimestre de 2018.

Na comparação com o trimestre anterior (out-nov-dez de 2017), no entanto, houve aumento na taxa de desocupação do Estado, de 1,3 pontos percentuais. Nesse período, houve queda de 88 mil pessoas ocupadas (-1,6%), e aumento de 79 mil pessoas ocupadas (16%).

Do total da força de trabalho no Paraná (pessoas ocupadas e desocupadas) no primeiro trimestre de 2018 (6 milhões de pessoas), 5,4 milhões se encontravam ocupadas, e 574 mil estavam desocupadas.

A maior parte da população ocupada está empregada no setor privado, com carteira assinada (2,2 milhões). No entanto, esse número teve uma queda de 4,1% na comparação com o mesmo período do ano passado (menos 92 mil trabalhadores) e de 1,7% em relação ao trimestre anterior (menos 37 mil trabalhadores). Por outro lado, o número de pessoas trabalhando por conta própria cresceu 4,3% na comparação com o mesmo trimestre de 2017, com acréscimo de 54 mil trabalhadores, chegando a 1,3 milhão de pessoas em 2018. Na comparação com o trimestre anterior, houve queda de 1,9% (menos 26 mil pessoas). O volume de trabalhadores domésticos também apresentou crescimento de 11,3% na comparação com igual período de 2017 (acréscimo de 34 mil trabalhadores), mas queda de 3% em relação ao trimestre anterior (menos 10 mil trabalhadores).

Imagem ilustrativa da imagem Paraná tem quarta menor taxa de subutilização da força de trabalho



REESTRUTURAÇÃO
O setor imobiliário foi um dos que tiveram maior acréscimo de população ocupada de janeiro a março de 2018 no Paraná. Para Marcos Moura, presidente da Regional Norte do Secovi (Sindicato da Habitação e Condomínios), o setor imobiliário está mostrando recuperação, e junto com isso vêm as contratações. "É momento de se reestruturar." A Imobiliária Mônaco, da qual é proprietário, teve 20% de crescimento nesse início de ano, diz. A empresa já contratou sete pessoas para atuar em diferentes áreas esse ano. "Como o mercado vem reagindo, é natural a contratação. Mas o que se procura são profissionais qualificados."

RECUPERAÇÃO
Segundo o economista e colunista da FOLHA Marcos Rambalducci, os resultados positivos na ocupação do Estado em relação ao mesmo período do ano anterior são um sinal de que a economia está tentando decolar. Porém, também deve-se considerar que o trimestre do ano anterior foi "muito ruim", por isso a melhora nos índices. "O ano (passado) estava trazendo números negativos muito significativos", diz o economista.

Na sua avaliação, o ano de 2018 será de altos e baixos nos índices econômicos. Prova disso é o aumento da taxa de desocupação do Paraná do último trimestre do ano passado para o primeiro trimestre desse ano. "Isso é reflexo de uma economia que ainda não engrenou de vez." Mas também há de se considerar que nos primeiros meses do ano há o desligamento de trabalhadores temporários contratados no final do ano anterior, observa Rambalducci. "A economia como um todo durante o ano vai passar por movimentos de altas e baixas mostrando que ainda não existe demanda consistente de crescimento continuado", completa. A taxa de câmbio e as eleições também farão, na opinião do economista, com que o otimismo e a vontade de investir ainda fiquem mitigados.

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