Curitiba O Brasil possui hoje o terceiro rebanho de equinos do mundo com 5,9 milhões de cabeças e só fica atrás da China e do México que possuem respectivamente 7,9 milhões de cabeças e 6,2 milhões de cabeças. Em um ranking estadual, Minas Gerais lidera com 859 mil cabeças. O Paraná ocupa a sexta posição com 434 mil cabeças. No País, o complexo do agronegócio cavalo movimenta, por ano, mais de R$ 7,3 bilhões e gera 3,2 milhões de empregos diretos e indiretos.
Os dados fazem parte de um estudo divulgado ontem pela Comissão Nacional do Cavalo da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com o presidente da comissão, Pio Guerra, o principal objetivo da pesquisa, realizada em parceria com as Universidades de São Paulo e Brasília, é produzir conhecimento sobre as dimensões socioeconômicas do setor.
''O estudo revela informações técnicas ainda desconhecidas pelos produtores e mercado e vai ajudar o setor a planejar avanços'', analisa ele. O Brasil tornou-se o quinto maior exportador de carne de cavalo do mundo detendo uma fatia de 12,60% do mercado, segundo dados de 2004. Nos últimos 15 anos, entre 1990 e 2005, as exportações passaram de menos de US$ 5 milhões para US$ 34,1 milhões. Os principais países importadores da carne de cavalo brasileira são Bélgica (29,1%), Holanda (21,4%) e Itália (18,3%). Os dados do Estudo mostram que a indústria da carne, no complexo do agronegócio cavalo movimenta cerca de R$ 80 milhões por ano, empregando cerca de mil pessoas.
O setor é responsável pela movimentação de R$ 174 milhões no segmento de selaria, R$ 86 milhões em transporte, R$ 54 milhões em medicamentos veterinários e R$ 53 milhões em rações. Além disso, as movimentações nos segmentos de leilões chegam a R$ 19 milhões, de curtume a R$ 15 milhões e a exportação e importação de cavalos vivos a R$ 8,8 milhões.
A Comissão Nacional do Cavalo criou uma agenda com 18 propostas para discutir com o governo e outros agentes do mercado. Entre os desafios que o setor precisa enfrentar estão o desconhecimento da legislação específica, a dificuldade de acesso ao crédito e a falta de investimentos em defesa sanitária e prevenção de doenças.
A análise de cada um dos 30 segmentos do agronegócio cavalo avaliados pelo estudo identificou diversos pontos críticos para a melhoria dos indicadores de desempenho da atividade: ausência de pesquisa oficial; falta de acesso a linhas de crédito; custo elevado e entraves operacionais nas exportações e importações de animais vivos; necessidade de revitalização dos jockeys clubs e do turfe; ausência ou inadequação da regulamentação envolvendo as atividades equestres; insuficiência de mão-de-obra qualificada em determinadas atividades; desempenho insuficiente das atividades ligadas à defesa pecuária; falta de instrumentos de apoio à popularização do uso da equoterapia; insuficiência orçamentária para o melhor dimensionamento do uso do cavalo militar; e relativa desestruturação dos mercados de produtos veterinários e de rações.

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