Paraná tem mais endividados
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domingo, 01 de novembro de 2015
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
O endividamento das famílias paranaenses teve uma leve redução em outubro. De acordo com a pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), 85,7% dos consumidores do Estado tinham algum tipo de dívida em outubro. Em setembro, o índice era de 86,3% e de 87,5% em outubro de 2014. A média de endividamento nacional ficou em 62,1% neste mês.
Para a coordenadora de pesquisas da Fecomércio-PR, Priscila Takata, a diminuição do percentual de endividados de apenas 0,6 ponto percentual entre setembro e outubro não tem grande representatividade. "São pessoas que conseguiram quitar as dívidas", disse. Ela acredita que este percentual deve se manter, a não ser que aumente o desemprego. Priscila explicou que o percentual de endividamento maior no Paraná do que na média nacional pode ser explicado porque o perfil de poder de crédito no Sul é maior. No entanto, ela destacou que o Paraná é o mais endividado, mas também o que mais paga as dívidas.
Para o economista e professor da Faculdade Faccar de Rolândia, Márcio Massaro, o ponto positivo no percentual de endividamento é que, ao menos, não está aumentando. "As pessoas estão percebendo que não é momento para contrair dívidas de longo prazo", disse.
O levantamento mostrou, no entanto, que o percentual de endividados com contas em atraso passou de 26% em setembro para 27,3% em outubro. No mesmo mês de 2014 era de 23%. Priscila disse estes números mostram que o paranaense está quitando contas básicas como água, energia, aluguel e financiamento da casa e protelando outras como carnês de compra de roupas, calçados e condomínio. Estas dívidas são com prazo inferior a três meses. "Dívida de até três meses não é saudável mas é de curtíssimo prazo", disse Massaro.
Já a inadimplência, ou seja, aqueles que estão com contas atrasadas há mais de 90 dias, também aumentou, passando de 45,8% no mês passado para 50,8%. Mas, o índice de inadimplentes já esteve pior em outubro do ano passado, quando era de 54%. Para Priscila, estas dívidas podem ter como origem o desemprego. Ela acredita que a inadimplência pode diminuir um pouco com a proximidade do final do ano, quando as pessoas quitam dívidas para poderem fazer novas compras para o Natal.
Para Massaro, o grande problema são as dívidas acima de 90 dias e que refletem o desemprego crescente ou pessoas que não se a adaptaram a um padrão de vida mais simples. "E estamos caminhando para uma taxa de desemprego de dois dígitos no início de 2016", alertou. Ele prevê que aumente o número de inadimplentes por conta do desemprego.
Entre os que estão com dificuldades de adimplemento, 10,9% afirmam que não terão condições de quitar seus débitos. Em setembro esse percentual era de 8,5% e de 10,1% de outubro de 2014.
NÍVEL DE ENDIVIDAMENTO
O nível de endividamento teve pequeno aumento em relação ao ano passado. Os consumidores que se consideram muito endividados passaram de 24,5% para 26,35% neste mês. As classes A e B afirmam estar mais endividadas, com 30,99% das famílias com excesso de dívidas. Em outubro de 2014, esse índice era de 25,3%. Nas classes C, D e E a parcela que se declara muito endividada é de 25,36%, ante 24,4% em outubro passado.


