Curitiba - Os agricultores familiares realizaram várias manifestações nos últimos dois dias para pressionar os governos estaduais e federal a oferecerem garantias à renda das famílias, melhorar a política habitacional e acelerar a regularização fundiária. Eles reivindicaram ainda a reestruturação da comercialização de produtos, garantias de um preço mínimo mais justo e um amplo processo de crédito subsidiado para custeio e investimento. De acordo com estimativas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar-Sul (Fetraf-Sul), no Paraná, há 370 mil propriedades de agricultura familiar e 150 mil delas ainda não tiveram a regularização fundiária, o que representa 40% do total.
O secretário geral da Fetraf-Sul, Marcos Rochinski, disse que a renda mensal destes agricultores varia de um a quatro salários mínimos. Os produtores trabalham com atividades diversificadas que envolvem, geralmente, cereais, leite e hortifrutigranjeiros. As propriedades têm até 50 hectares.
Na última quarta-feira, os agricultores entregaram pautas de reivindicações à Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia (Seti), no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e na Secretaria da Agricultura (Seab). Ontem, eles entregaram as reivindicações no Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e seguiram em caminhada até a sede do Ministério da Fazenda, no centro de Curitiba. Neste local, fizeram a distribuirão alimentos gratuitamente, como forma de protesto. Cerca de 500 agricultores participaram da mobilização.
Uma comissão de produtores teve ainda uma audiência com o governador Roberto Requião. Segundo Rochinski, o governador ofereceu garantias da continuidade de melhoria da política habitacional através de um projeto que deve utilizar madeira de reflorestamento do governo do Paraná. A madeira seria usada para construção de casas no meio rural daqui 60 dias. Também há discussões para ter políticas públicas mais favoráveis para um amplo processo de recuperação de fontes de água e mata ciliar. E ainda um processo de regularização fundiária.
''As reivindicações coincidem com aquilo que nós estamos fazendo, portanto foram todas aceitas'', afirmou Requião. O governador destacou a posição da entidade contra a proposta de diminuição da reserva legal das propriedades rurais, que está em debate no Congresso Nacional.
Estiagem - A Fetraf ainda defendeu um pacote emergencial de medidas em socorro aos agricultores vítimas da estiagem no Sul e das enchentes nas regiões Norte e Nordeste do País. Eles querem que o governo adie os vencimentos dos financiamentos dos produtores e agroindústrias familiares das regiões atingidas por um prazo mínimo de 120 dias e que uma equipe ministerial faça vistorias nessas regiões para avaliar de perto os estragos nas áreas rurais. Querem também a liberação de R$ 100 mil para as prefeituras que decretaram situação de emergência.

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