Paraná tem maiores lucros e prejuízos do Sul
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de julho de 2002
Rosana Félix<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - A economia paranaense foi ao topo, mas igualmente bém desceu no fundo do poço em 2001: as 100 maiores empresas do Estado tiveram os maiores lucros da Região Sul, mas também apresentaram os maiores prejuízos. A boa notícia é que o lucro obtido por essas empresas teve um salto de 68% em relação a 2000, atingindo R$ 3,1 bilhões. Já o prejuízo conjunto somou R$ 1,8 bilhão, um aumento de apenas 20%.
Os dados fazem parte do ranking Grandes & Líderes, divulgado ontem pela 12 vez pela revista Amanhã Economia e Negócios. O levantamento foi feito pela empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers. O lucro acumulado pelas 100 maiores empresas do Paraná foi bastante superior ao conquistado pelas 100 maiores companhias dos outros Estados da Região Sul. No Rio Grande do Sul, o valor obtido foi de R$ 2,2 bilhões, e de R$ 2,1 bilhões em Santa Catarina.
Os dois maiores lucros da região ocorreram no Paraná. A Cimento Rio Branco obteve R$ 663,9 milhões e a Itaipu Binacional R$ 657,9 milhões. Em contrapartida, o Paraná também contribui com a campeã e a terceira colocada em prejuízo no Sul do Brasil. A Global Telecom amargou perda recorde de R$ 856 milhões, e a Renault de R$ 419 milhões em 2001.
As maiores empresas do Rio Grande do Sul também tiveram um grande prejuízo: R$ 1,6 bilhão. Já as de Santa Catarina perderam apenas R$ 217,6 milhões. Por causa disso, o estado catarinense figura como primeiro colocado no ranking da revista. As 100 maiores empresas de Santa Catarina superam as do Paraná e do Rio Grande do Sul nos indicadores de eficiência. De acordo com a revista, isso é fruto do modelo de descentralização econômica e vocação para produtos de valor agregado, enquanto Paraná e Rio Grande são fortes em commodities agrícolas. O Paraná tem a pior distribuição de empresas: Curitiba é sede de 54% das maiores empresas paranaenses. Porto Alegre, por exemplo, tem 40% das empresas do Estado.
''Em 2001, o Paraná reuniu o pior e o melhor dos mundos'', observou o diretor de redação da revista Amanhã, Eugênio Esber. Para ele, a vantagem do Paraná é que os lucros foram bastante superiores aos obtidos nos outros estados. ''Já a soma dos prejuízos só tem uma pequena diferença em relação ao do Rio Grande'', ponderou.
Um fato que pode preocupar a economia paranaense é o nível de endividamento das empresas, observou Esber. De acordo com o levantamento, em 1999 as 100 maiores empresas do Paraná tinham um endividamento de 43,1% em relação ao ativo total. Em 2000, o índice foi 49,2% e chegou a 52,2% no ano passado. ''O endividamento sempre mostra uma situação de risco. Por outro lado, isso é sinal de investimentos, mesmo que através de capital de terceiros'', avaliou.
Londrina, que possuía oito empresas no ranking das 500 maiores empresas da Região Sul em 2000, agora tem apenas seis: Milenia Agrociências e Controladas (64 posição), Sercomtel (109), Grupo Cacique (121), Confepar (290), Sercomtel Celular (308) e Cohab (455).
As 10 maiores da Região Sul
01) Empresas de Petróleo Ipiranga (RS)
02) Grupo Gerdau (RS)
03) Copel (PR)
04) Grupo Bunge Alimentos (SC)
05) Varig e Controladas (RS)
06) Itaipu Binacional (PR)
07) Tractebel Energia (SC)
08) Sadia e Controladas (SC)
09) HSBC Bank do Brasil (PR)
10) Refinaria Alberto Pasqualini (RS)
As 10 maiores do Paraná
01) Copel
02) Itaipu
03) HSBC Bank do Brasil
04) Paraná Previdência
05) Tele Celular Sul
06) Cimento Rio Branco
07) Coamo
08) Sanepar
09) Inpacel
10) Renault
(*) Ponderação entre patrimônio líquido, faturamento e lucro


