O Paraná teve em novembro a maior alta na taxa média de juros das operações de crédito entre os oito estados analisados pela Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), 6,36% mais em relação a outubro. Apesar da expectativa de queda pela manutenção em 7,25% da taxa básica de juros, a Selic, o valor cobrado em financiamentos aumentou devido à maior demanda do consumidor no fim de ano.
Como a inadimplência também se manteve inalterada no mês passado, a Anefac informa não existir uma explicação técnica para a elevação nos juros. ''Isso me leva a crer que a alta se deu por uma tentativa de recuperação da margem de lucro dos bancos, que caiu neste ano'', diz o coordenador de estudos econômicos da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira.
A lucratividade das instituições bancárias caiu 31% apenas no terceiro trimestre deste ano sobre o mesmo período de 2011, de acordo com o Banco Central, o que foi motivado principalmente pelas seguidas reduções da taxa Selic. A retração representa quase R$ 5,5 bilhões. Por isso, Oliveira acredita que os bancos tentam reduzir essa perda com a alta dos juros ao consumidor, mesmo com a expectativa de que a concorrência entre as instituições gerasse nova queda.
Desde julho de 2011, quando o Banco Central começou a reduzir a Selic, a taxa básica caiu de 12,5% para os atuais 7,25%, uma variação de 5,25 pontos percentuais, ou 42%. No mesmo período, os juros médios para pessoa física foram de 121,21% para 92,95%, o que significa 28,26 pontos percentuais a menos, ou 23,31%.
O professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que a explicação está na demanda. ''No fim de ano muitos consumidores procuram mais pelo crédito. A inadimplência baixou um pouco recentemente e mais pessoas podem buscar crédito.''
Staviski conta que as pessoas com salários mais baixos dependem mais do crediário para fazer compras. ''A demanda por crédito está mais aquecida entre os que ganham até R$ 2 mil do que na média nacional.''
Concorrência
Sobre o Paraná, Oliveira diz que não é possível apontar os motivos da elevação da taxa média de 4,09% ao mês em outubro para 4,35% em novembro, ou 0,26 ponto percentual a mais. A variação representa 6,36%, a maior entre os estados pesquisados. ''Normalmente, isso tem relação com locais onde há uma menor competição entre bancos'', afirma. Porém, ele considera a taxa normal, pouco acima dos 4,30% da média nacional.
Conforme a Anefac, apenas os juros do cartão de crédito não sofreram variação no período entre as linhas para pessoas físicas. A taxa é a mais alta e chega a 9,37% ao mês, ou 192,94% ao ano. O valor para o comércio foi de 4,10% em outubro para 4,30% em novembro, o que representa 65,73% ao ano. Na média das operações, a mudança foi de 5,50% para 5,63% ao mês, ou 92,95% ao ano.
No caso de pessoas jurídicas, houve elevação em todos os segmentos. A média geral passou de 3,17% ao mês em outubro para 3,29% em novembro, ou 47,47% ao ano. O aumento foi de 0,12 ponto percentual, ou 3,79% a mais no mês. Os valores médios tanto para pessoas jurídicas quanto para físicas foram os maiores desde setembro.
Para os próximos meses, a Anefac mantém a perspectiva de queda ''por conta da melhora da economia, pela maior competição no sistema financeiro após os bancos públicos promoverem suas reduções de juros, bem como a expectativa de redução dos índices de inadimplência''.

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