Curitiba A desaceleração na produção industrial do Paraná, já detectada por entidades e sindicatos que representam a indústria, foi constatada pela pesquisa mensal do mês de julho, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompeu um período de 31 meses consecutivos de resultados positivos. Nesse mês, a retração na produção industrial do Estado foi de 1% em comparação com julho do ano passado.
No Paraná, a produção industrial no período janeiro a julho de 2005 cresceu 6,6% e o acumulado nos últimos doze meses avançou 10,3%. A pesquisa revelou que apenas sete dos 14 Estados tiveram crescimento na produção, que acabou influenciando numa média positiva de crescimento de 0,5% para os Estados pesquisados.
Para a coordenadora da pesquisa da indústria do IBGE, Isabela Nunes, a desaceleração é decorrente de um dia a menos de dias úteis no mês, que influencia no resultado da produção industrial. Além disso a comparação foi feita com julho de 2004, justamente quando começou a se intensificar a trajetória de crescimento econômico.
No mês de julho, o principal impacto da retração industrial no Paraná foi a queda de produção da indústria de alimentos e bebidas que caiu 6,8% , seguida da redução da produção da indústria de máquinas e equipamentos agrícolas, que foi de 14,2%. Segundo o IBGE, houve uma queda acentuada na produção estadual de tratores e colheitadeiras em função da estiagem e quebra de safra ocorrido este ano. Também a indústria da madeira teve impacto negativo, com queda de 16,2%, decorrente da diminuição na produção de madeira compensada e painéis de madeira.
O setor que se destacou com a maior contribuição positiva no mês foi o de refino de petróleo que cresceu 34,2%, pressionado pelo produto óleo diesel e outros óleos combustíveis.
A coordenadora chamou a atenção para o desempenho anual da produção industrial paranaense, que acumula um crescimento de 6,6%. Esse índice ficou acima da média nacional, que foi de 4,3%, e colocou o Paraná na quarta colocação entre os Estados com produção industrial mais dinâmica, analisou Isabela Nunes.
No acumulado do ano, os fatores de sustentação da produção industrial são os segmentos automotivo, com aumento de 28,6%; e de refino de óleo e produção de álcool, com elevação de 26,4% na produção; e do setor de edição e impressão, que teve um aumento de 38,1% na produção. As indústrias do setor automotivo foram duplamente beneficiadas, pelo bom desempenho no mercado interno e pelas exportações, que estão mantendo em alta o ritmo de produção nas montadoras.
O principal impacto negativo no acumulado do ano ficou por conta do segmento Outros Setores Químicos, que registrou queda de 30,77 na atividade, por conta da redução da produção de adubos e fertilizantes, refletindo o cenário não muito favorável do setor agrícola, situação que não ocorreu em anos anteriores.
Greve - A greve dos funcionários do IBGE foi encerrada ontem, após 69 dias de paralisação. Assembléias realizadas em todos os núcleos da instituição no País, segundo o sindicato da categoria, decidiram pelo fim da paralisação depois que o governo cortou o dia parado dos trabalhadores e condicionou o pagamento desses dias ao fim da greve.

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