Paraná tem deficit de armazenamento de grãos
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
Cerca de 150 representantes do setor armazenador de diversas regiões do País se reuniram ontem, no auditório da Embrapa Soja, em Londrina, para discutir as Instruções Normativas IN29 e IN41, que estabelecem os padrões mínimos de qualidade para que os grãos produzidos no País possam ser estocados da forma adequada, garantindo sua qualidade - com o mínimo de perdas - até chegar ao consumidor final. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Comissão Consultiva do Sistema Nacional de Certificação de Unidades Armazenadoras, desmembrou os 16 requisitos encontrados nas INs, tratando desde itens relacionados ao controle de incêndios até o controle de pragas. A FOLHA conversou com alguns especialistas durante o evento para descobrir quais são os principais gargalos e desafios do setor.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que no País existem por volta de 17,5 mil armazéns, com uma capacidade estática de armazenamento de 140 milhões de toneladas de grãos. Entretanto, a produção nacional de tais produtos já ultrapassou a marca dos 163 milhões de toneladas por ano. No Paraná, a capacidade de estoque é de 27,6 milhões de toneladas para uma produção de 30 milhões. O pesquisador da Embrapa, Irineu Lorini, presidente da Associação Brasileira de Pós-Colheita (Abrapos), comentou que sem capacidade, uma série de problemas são criados, como o dos armazéns ''ambulantes'', que nada mais são do que os próprios caminhões. ''O ideal é que se tenha no mínimo 25% a mais de capacidade estática em relação à produção, o que acaba melhorando todo o sistema de logística. Nosso principal gargalo é a falta de capacidade de armazenar o que produzimos''.
Já em relação aos requisitos de certificação dos armazéns, as INs do Mapa estabelecem um prazo de cinco anos - entre 2012 e 2017 - para que 100% das unidades brasileiras estejam de acordo com as normas discutidas. De acordo com Lorini, apenas 20% dos armazéns atendem hoje todos os requisitos de forma integral, 60% deles vão precisar de investimentos dos mais diversos valores para se adequarem e os 20% restantes não têm condições ou não valem à pena um investimento para adquirir a certificação. ''O Paraná segue estes números. São diferentes itens para serem cumpridos: estabelecer sistemas de termometria, aeração dos grãos com parâmetros técnicos, até registros operacionais de circulação dos produtos nas unidades armazenadoras. Outro ponto crítico é a falta de mão de obra especializada para atender o setor'', avaliou o representante da Abrapos.
Milton Libardoni, superintendente de armazenagem e movimentação de estoques da Conab, disse que nos últimos dois anos a entidade está realizando um trabalho de recadastramento das unidades armazenadoras. Ele relatou que em alguns estados, como Santa Catarina, houve um crescimento de 30% nos armazéns. ''Os levantamentos ainda não foram realizados no Paraná e em São Paulo. É preciso construir nos locais onde realmente faltam as unidades, por isso a importância deste levantamento'', concluiu.
Transgênico x convencional
Em relação ao armazenamento e separação dos grãos convencionais dos transgênicos, Irineu Lorini explicou que é um processo bastante complicado e oneroso, pouco utilizado atualmente. ''Para compensar, a empresa deve fazer contratos fechados e pensar em toda uma logística. No Paraná, essa segregação diminuiu ainda mais nos últimos três anos''.


