Depois de definir o suporte tecnológico para uma produção rentável, a pesquisa tem outras etapas pela frente. Segundo Sérgio Carvalho, precursor do abacaxi no Paraná, ‘‘temos tecnologia, boa variedade e boas condições naturais de solo e clima, além de um mercado amplo pela frente. Entre os produtores houve grande avanço nas técnicas de manejo, embora ainda faltem mão-de-obra especializada e suficiente orientação a campo.
O desafio agora é evoluir para um escalonamento da produção e fazer com que a colheita saia mais extemporaneamente, não coincidindo com colheitas de outras regiões, como a de Minas Gerais - entre final de novembro até meados de janeiro. O objetivo é fazer com que o produto paranaense chegue ao mercado num período de pouca oferta, resume Carvalho.
Ainda segundo o pesquisador do Iapar, o Paraná pode estender a sua produção até até março. ‘‘A melhor época é entre fevereiro e março, quando os preços sobem mais’’, diz. Em Cafeara, por exemplo, os produtores estão colhendo agora e, embora a colheita perdure até março, o pico dela ocorre mesmo entre janeiro e meados de fevereiro. Neste período os preços são bons, mas nem tanto, porque é o período de concenteração da oferta. É isto que a pesquisa quer fazer: deslocamento do pico da colheita para frente e, assim, entrar num mercado sem concorrência.
Embora altamente rentável, mesmo ocupando pequenas áreas, o abacaxi é uma atividade empresarial. Os emprendedores têm que adotar tecnologia e buscar orientação. Com certeza não é para amadores.
O objetivo do Iapar, explica Sérgio Carvalho, foi mostrar que existe uma boa alterntiva para pequenas propriedades, numa região cujo solo, arenoso, não oferece muitas opções. A pesquisa recomenda plantios intercalados com outras culturas - são muitas as opções - ou em terra ‘‘solteira’’.
O pesquisador defende uma política de produção para o abacaxi. É rentável, talvez a melhor opção de renda atualmente. Os produtores bem-sucedidos, bancaram a implantação da lavoura com recursos próprios. No entanto, os bancos poderiam criar linha de crédito específica. ‘‘Afinal, a produção tem o respaldo do Iapar que garante sua viabilidade’’.
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A área ocupada pelo abacaxi no Paraná não passa de 300 hectares. Na medida que houver maior produção de matéria-prima, aumenta a possibilidade da implantação de indústrias para produção de escala. Se hoje existem citricultura e indústrias de suco é porque um dia a pesquisa garantiu a base tecnológica - lembra Carvalho -, e isto ocorre com abacaxi.
PONTOS POSITIVOS
-O mercado para o abacaxi está receptivo: 90% do produto consumido no estado vem de outros Estados,
-O produto paranaense é competitivo e deixa margem de lucro como nenhum outro produto,
-O cultivo é viável em dezenas de municípios da costa norte, oeste e região noroeste,
-A tecnologia que está à disposição dos produtores resulta de pesquisas iniciadas em 1976,
-Há numerosos de exemplos de produtores que vêm obtendo bons resultados incluindo os de ‘‘primeira viagem’’.
DIFICULDADES
-Falta um programa de governo para o abacaxi que inclua produção e industrialização,
-Os bancos, por desconhecimento, não abrem crédito, apesar da garantia tecnológica de que a cultura é viável,
-Quem investiu recursos próprios está ganhando bem. Mas nem todos têm capital para implantar uma lavoura e esperar 15 meses para o retorno,
-Falta treinar a assitência técnica em termos de campo. E agentes que oriente também a comercialização,
-A comercialização em grupo, para garanter a oferta em escala industrial, pode garantir preços ainda melhores que os atuais.

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