FOLHA -O Paraná continua na liderança da produção agrícola no país. Se não fossem esses problemas que o senhor citou, essa produção poderia ser maior em quanto?
ÁGIDE MENEGUETTE - Nós estamos na faixa de 29 milhões de toneladas. Mas o Paraná tem um potencial ainda maior. Nós temos, eu acredito, um potencial de aumentar 10 ou 15%, o volume de produção no estado, aproveitando a área do arenito Cauiá. O mais importante no Paraná, entretanto, não é aumentar apenas o volume. Mais importante que isso é a diversificação que está ocorrendo no estado. Nós estamos vendo o setor de avicultura crescendo, a suinocultura, a própria ovinocultura de corte nós temos um potencial de crescer com o rebanho com qualidade melhor, e isso é um valor agregado maior. O preço no mercado internacional traz mais renda para o estado.
E o quê falta neste sentido?
  Eu acredito que nós temos a necessidade rápida em investir. As nossas autoridades têm que acordar para isso. Esperamos que tudo isso alavanque realmente o crescimento, não apenas em volume, mas sim com qualidade, com valor agregado maior do que nós vendermos apenas nas commodities.
Com o crescimento de 10% ou 15% poderemos chegar a 32 ou 33 milhões de toneladas?
  Chegaríamos sim. Se o tempo ajudar e se tudo correr maravilhosamente bem, o produtor tendo condições de aplicar em níveis de tecnologia existentes hoje no mercado, e as vezes não aplica por falta de recurso, nós temos um potencial de aumentar a produção. E nós temos que acreditar que o futuro do mundo é a utilização da biotecnologia. Com a biotecnologia é evidente que nós vamos ter um aumento da produtividade em todo setor do agronegócio.
E qual a importancia da biocnologia para o desenvolvimento e o melhoramento da agricultura?
  Com a biotecnologia, você tem condições de botar gens, por exemplo, em uma planta para resistir à seca, à falta de chuva, e isso consequentemente aumenta a sua produtividade. Você tem condição de aplicar a biotecnologia contra certas pragas. E tendo essa defesa da planta, você não precisa usar inseticidas. Você melhora a questão do meio ambiente. A biotecnologia não é esse demônio apregoado aqui no Paraná. Nós precisamos que nossas próprias autoridades enxerguem melhor a questão da biotecnologia como uma ferramenta que vem para ajudar o produtor rural a produzir mais, a conseguir sobreviver no campo e não causar o êxodo rural, vindo para a cidade. Nós vamos ter que utilizar, como todo mundo se utiliza, da biotecnologia, da pesquisa, para que nós possamos realmente encarar o mundo competitivo em que vivemos nos dias de hoje. (E.A.)

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