Curitiba - A indústria do Paraná teve a maior alta de produção no mês de março entre 14 regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo indicadores divulgados ontem, no mês retrasado as indústrias paranaenses produziram 18,6% a mais na comparação com fevereiro. A variação nacional foi de 2,8%.
Em relação a março de 2009, o Paraná também teve crescimento acima da média nacional: 23,7%, enquanto o País teve alta de 19,7%. Entretanto, outros Estados tiveram variação maior na comparação entre março de 2010 e o de 2009. O Espírito Santo teve aumento de produção de 45%, o Amazonas, de 39,9%, Pernambuco, de 25,3%, e Goiás igualou o índice paranaense.
O IBGE destacou que, no Paraná, 10 dos 14 ramos de atividades industriais pesquisados aumentaram sua produção em março na comparação com o mesmo mês em 2009. Os destaques foram os setores de veículos automotores (alta de 54,1%), edição e impressão (47,9%) e máquinas e equipamentos (56,7%).
''Dois desses setores que puxaram o aumento da produção industrial paranaense tiveram uma característica especial'', aponta Roberto Zurcher, economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
''No caso de veículos automotores, foi o último mês de IPI reduzido. Além disso, o setor automobilístico paranaense tem um grau de vendas para o exterior significativo, e essas vendas têm se recuperado em relação a 2009. Quanto à indústria de materiais gráficos, ela tem perfil sazonal. Trabalha sob encomenda e esses números de março já estariam atrelados à demanda para o próximo período letivo, o segundo semestre'', diz o economista.
''Já os números do setor de máquinas e equipamentos dão uma 'luz' para algo mais a longo prazo. Os empresários estão investindo e está sendo sinalizado um ano com atividade elevada'', explica Zurcher.
No acumulado desde o início de 2010, entretanto, o aumento da produção industrial paranaense ficou atrás da alta nacional: 12,7% de crescimento entre janeiro e março em relação ao primeiro trimestre de 2009, contra 18,1% nacionalmente. ''A explicação é que o Paraná, em 2009, foi o segundo Estado que menos teve queda de produção industrial, atrás apenas de Goiás. Com isso, o Paraná está trabalhando com uma base de comparação elevada, ao contrário de outros Estados'', argumenta o economista.
Zurcher, porém, faz uma ressalva. ''Com a recente alta da taxa de juros e o prognóstico de mais aumentos, mais para o fim do ano teremos redução da demanda. O crescimento acelerado da produção industrial que tivemos nos últimos meses não deve manter a velocidade'', afirma.

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