Paraná tem 6,3% da classe média do Brasil
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de março de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná reúnem 69,5% das famílias de classe média do Brasil. Só o Paraná concentra 6,3% das famílias que fazem parte desta classe social com uma representatividade de 966.313 grupos familiares. No Brasil, 31,7% das famílias fazem parte desta estatística e totalizam 15,4 milhões de grupos familiares. De cada quatro famílias da classe média, três estão nas regiões Sul e Sudeste. Curitiba conta com 278.609 famílias de classe média e Londrina com 63.080.
O Estado que mais tem famílias de classe média é São Paulo com 5,213 milhões, seguido de Rio de Janeiro (1,830 milhão), Minas Gerais (1,511 milhões) e Rio Grande do Sul (1,193 milhão). O Paraná ocupa a quinta colocação. Esta classe está concentrada nas grandes cidades, ela é basicamente trabalhadora e tem significativa maior escolaridade em relação à média nacional. ''Por ter sido beneficiária e suporte da industrialização, concentra-se nos estados mais desenvolvidos do país'', disse o economista e um dos autores do livro Classe Média - Desenvolvimento e Crise, Marcio Pochmann.
O economista, professor e pesquisador da FCECA-Mackenzie, Ricardo Amorim, disse que a classe média hoje é formada basicamente por assalariados que têm renda familiar entre R$ 1.556,30 e R$ 17.351 e têm ocupações como profissionais liberais, gerentes, executivos, técnicos especializados e lojistas. Ao converter o número de famílias em quantidade de pessoas, chega-se a um universo de 57,8 milhões de brasileiros. Com isso, a renda per capita passa a ficar entre R$ 263 e R$ 2.928.
Ele destaca que a classe média sofreu redução no Brasil. Em 1872, ela representava 12,3% da População Economicamente Ativa (PEA). A partir dos anos 20 teve uma explosão. Nos anos 80, atingiu 31,7% da PEA mas, em 2000, a participação na PEA caiu para 27%. O achatamento desta classe foi provocado, segundo ele, pelas transformações econômicas que o Brasil passou nos anos 90 como a abertura econômica do País e a valorização do câmbio que fizeram as empresas brasileiras fecharem ou passarem por reestruturação. Isso tudo levou ao fechamento de postos de trabalho.
Amorim disse que a classe média hoje tem carro, casa e quase todos os eletrodomésticos mas os filhos desta parcela da população já não estão mais conseguindo ter o mesmo padrão de vida dos pais.
No Brasil, 26,6% das famílias são chefiadas por mulheres. Na classe média este porcentual é de 18,6%, porque elas ocupam menos cargos de chefia.
Amorim destaca ainda que o consumo mudou muito nesta camada da população. Foram abandonados os gastos supérfluos. Em 1987, a classe média gastava 24,5% do orçamento com alimentação. Em 2003, este porcentual caiu para 15,9% porque as famílias deixaram de ir em restaurantes. No mesmo período, os gastos com vestuário caíram de 11% para 5% e a preocupação com aumento de ativos (aplicações financeiras e casa própria) caiu de 10,8% para 3,9%. Já os gastos com habitação passaram de 17,6% do orçamento para 29,5% e com transporte de 8,7% para 16,9%. Mas, a classe média ainda prefere gastar mais com telefonia do que com empregada doméstica. A telefonia ocupa 3,4% do orçamento (cerca de R$ 150) e a empregada 2,2% (R$ 108). Amorim explicou que, além de o serviço de telefonia ter subido muito, há um consumo exagerado das pessoas para este serviço.


