Paraná tem 22 APL detectados
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segunda-feira, 03 de outubro de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Vinte e dois Arranjos Produtivos Locais (APLs) foram detectados pela Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral em seu trabalho de identificação de aglomerações regionais de empresas atuantes em um mesmo segmento. Agora, a secretaria está fazendo estudos aprofundados para detectar as necessidades e gargalos para o desenvolvimento desses pólos, para definir as ações e políticas a serem implantadas em cada local.
As vantagens em participar de um APL são muitas. Baseado em experiências internacionais, como os Distritos Industriais Italianos, há alguns anos o governo federal vem determinando incentivos para os APLs, como facilidade de acesso a linhas de financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e apoio ao custeio de estudos para diagnosticar os gargalos desses arranjos.
O diretor geral da secretaria, Allan Marcelo de Campos Costa, acrescenta ainda a possibilidade das empresas se tornarem mais competitivas, uma vez que aumentam a capacidade de atenderem a demanda do mercado externo. ''Para exportação, a demanda normalmente é muito grande, e uma empresa só não teria condições de atendê-la'', afirma. Para ele, a existência de um APL é fruto de condições naturais dos municípios aliado a um trabalho de forte governança local, ou seja, da participação de vários setores, como os empresários, sindicatos e prefeituras.
Os Arranjos Produtivos Locais podem ser definidos como concentrações de empresas de uma mesma atividade econômica em determinadas regiões, e que apresentam características como cooperação e protagonismo local. No Paraná, os programas de apoio aos APLs vêm se estruturando há dois anos. Até agora, de acordo com Costa, sete concentrações eram reconhecidas pela Rede APL e já são eleitas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior como prioritárias para receber o aporte do governo federal: as indústrias de bonés, em Apucarana; de confecções, em Cianorte e Maringá; de móveis, em Arapongas; portas e janelas de madeira em União da Vitória; cal e calcário na Região Metropolitana de Curitiba e confecção infantil em Terra Roxa (132 km a oeste de Cascavel).
Para detectar outros arranjos produtivos, a secretaria desenvolveu uma metodologia própria e inédita no País, que consiste em levantar dados sobre a importância desses pólos como geradores de emprego, para a economia da região e para a economia do Estado. Inicialmente, a secretaria identificou 111 aglomerações empresariais em diferentes setores, sendo pré-selecionados 25 locais como tendo potencial para se tornarem um APL. Após visitas e avaliações, no entanto, foram definidos 22 APLs no Estado, incluindo aqueles já reconhecidos pela Rede APL.
Durante as visitas prévias, feitas em junho e julho deste ano, os técnicos do Ipardes e da secretaria identificaram um APL que não havia sido captado estatisticamente em 2003, quando foram iniciados os estudos. Trata-se do APL de Sa© úde, de Campo Mourão, que reúne 12 pequenas empresas que projetam e fabricam equipamentos de saúde de alto valor agregado, gerando 157 empregos diretos, sem levar em conta as empresas fornecedoras. Essas empresas já exportam para mais de 30 países.
A Rede é formada pelo governo do estado, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Federação das Indústrias do Estado do Paraná e pelo Sebrae Paraná, que assinaram um termo de cooperação geral, em dezembro do ano passado, pelo qual se comprometeram a agir em conjunto e dentro de uma mesma metodologia nos APLs.


