Paraná também planta soja modificada, segundo Aprasem
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de dezembro de 2001
Ana Paula Nascimento<br>De Londrina 
O Paraná, um dos maiores produtores de soja, tem entre 300 mil e 400 mil hectares de soja transgênica, cerca de 10% da área, segundo estimativa do presidente da Associação Paranaense de Produtores de Sementes (Aprasem), Iwao Miyamoto, também presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja). A fiscalização do Ministério da Agricultura não confirma esses dados, mas também não descarta a possibilidade de existirem plantios da semente modificada.
O setor de sementes está aguardando parecer judicial sobre a liberação de plantio de soja transgênica. Miyamoto disse que teria informações de que o parecer sairia na semana que vem. Porém, a coordenadora executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Marilena Lazzarini, que move ações cautelar e civil pública contra a liberação do plantio comercial de transgênico, afirmou ontem que decisão judicial deverá ser definida somente no ano que vem.
No Brasil, a estimativa é de que haja cerca de 3 milhões de ha de soja transgênica com fins comerciais, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), divulgados ontem pela Folha. No Rio Grande do Sul, conforme dados da entidade, 70% da produção é transgênica.
Para o presidente da Aprasem, a liberação do plantio da soja transgênica com fins comerciais é urgente para se ter controle dessa produção e evitar o abuso de preços das sementes transgênicas, dentro do ''câmbio negro''. ''Muitos produtores estão pagando caro pelas sementes transgênicas, e como as embalagens são 'brancas', isto é, sem rótulo de origem e identificação, correm o risco de serem enganados e não terem a quem recorrer'', alegou Miyamoto.
Segundo ele, o preço do saco de 50 quilos de sementes transgênicas - em sua maioria provenientes da Argentina - custa de R$ 100,00 a R$ 300,00 ao passo que a convencional custa R$ 40,00. ''Se houvesse a liberação, o produtor não estaria na clandestinidade e poderíamos controlar essa comercialização, sendo que o preço da transgênica fiscalizada e controlada não seria mais do que 10% da convencional'', garantiu.
Sobre a possibilidade de o Brasil se firmar como um grande produtor de grãos não transgênicos, e ter benefícios comerciais dentro desse contexto, Miyamoto descarta. ''Sem os transgênicos, o Brasil perde em competitividade, e essa história do mercado pagar mais pelo não transgênico é balela; a maioria dos países importadores de soja continua importando a soja transgênica, e não oferece mais pela convencional'', afirmou.
Como exemplo da perda de competitividade, Miyamoto citou a crise da produção brasileira de algodão, que está perdendo mercado devido ao alto custo de produção. Segundo ele, a produção brasileira de algodão é cerca de US$ 250,00/ha mais cara quando em comparação com a produção na Austrália, que utiliza algodão transgênico.
O chefe do Serviço de Fiscalização e Fomento Vegetal (SFFV), do Ministério da Agricultura, no Paraná, Alfredo Rodolfo, alega não ter conhecimento da presença de soja transgênica no Paraná, embora não descarte essa possibilidade. ''Não acho que a liberação facilitaria o trabalho de fiscalização'', afirmou.


