Vânia Casado
De Curitiba
Os plantios do feijão das águas e de milho da safra de verão estão parando novamente no Paraná, em função da falta de umidade no solo. As chuvas dos dias 14 e 15 de setembro não foram homogêneas em todo o Estado e em muitas regiões como a Centro, Sudoeste e Norte, elas foram insuficientes para repor a necessidade hídrica.
Somente na região Centro-Sul, as chuvas foram mais regulares para permitir a retomada do plantio, avaliou a engenheira agrônoma da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Vera Zardo.
O plantio do milho está suspenso, mas pode ser retomado assim que as chuvas normalizarem. O plantio de milho normal passou de 1,5% para 21%, enquanto que deveriam ter sido plantados pelo menos 35% da área prevista para a cultura.Já o plantio de feijão começa a ficar comprometivo em algumas regiões. Na região Sudoeste do estado, pelo menos 30% da área que seria ocupada com o feijão das águas, em torno de 45.000 hectares, já está comprometida, constatou o técnico do núcleo da Secretaria da Agricultura, em Francisco Beltrão, Antoninho Fontanella.
Segundo ele, o prazo de plantio está se encerrando e os produtores devem optar pelo plantio de soja, assim que as chuvas se regularizarem. O técnico disse que as chuvas foram insuficientes na região, e quem se arriscou a plantar está com problemas de germinação na lavoura, que está ocorrendo de forma irregular.
A região Sudoeste iria contribuir com 17% na produção de feijão na safra das águas 99/2.000 com a oferta de uma produção estimada em 82.800 toneladas. Agora, tanto área como produção serão reavaliadas, disse Fontanella. Poderá haver redução de área no plantio de feijão também na região de Umuarama. O último levantamento realizado pelos técnicos do Deral no campo, indica que o plantio de feijão avançou de 8% (antes da chuva) para 30% da área plantada.
O normal para o período seria que 50% da área, estimada em 460.000 hectares no estado, estivesse plantada, disse a agrônoma.
Na reavaliação de área plantada, Vera Zardo antecipa que poderá ocorrer uma reordenação nas decisões de plantio. Enquanto algumas regiões estão admitindo a redução da área plantada, em outras, poderá ocorrer a expansão da área. Isso porque o plantio de feijão nas demais regiões produtoras ainda vai até novembro e a alta de preço na comercialização pode influenciar na decisão dos produtores.
Vera Zardo explicou que a estimativa de plantio do feijão foi feita quando o feijão carioca era comercializado por R$ 25,00 a saca e o preto, a R$ 21,00 a saca, e o desestímulo dos produtores era geral. Agora, o feijão carioca está sendo comercializado por R$ 40,00 a saca, em média, e o agricultor pode repensar a sua intensão de plantio, destacou.

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