Paraná supera a média nacional em reajustes salariais
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quinta-feira, 17 de março de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - As negociações dos reajustes salariais no Brasil tiveram os melhores resultados nos últimos 15 anos em relação às categorias que conseguiram aumento real. Uma pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que 89% dos acordos foram fechados com índices acima da inflação. O levantamento mostrou que 61% destes acordos tiveram aumento real acima de 1% e um terço deles atingiram reajuste 2% acima da inflação. O desempenho tanto da região Sul como do Paraná ficou acima da média nacional.
No Estado, os acordos com aumento igual ou superior ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) chegaram a 96,9% do total enquanto a média nacional foi de 95,7%. As negociações acima do INPC foram 93,9% no Paraná e 88,7% no Brasil. E os acordos abaixo do INPC atingiram 3,1% no Estado e 4,3% no País. Ainda no Paraná, as negociações com reajuste real acima de 1% atingiram 84,8% e no Brasil 61,1%. Já os acordos com aumento real acima de 2% foram 75,7% no Paraná e 32,8% no País.
A região Sul também teve desempenho acima da média nacional e obteve 97,9% dos acordos com reajuste igual ou superior ao INPC; 91,6% com aumento real e 2,1% com aumento abaixo da inflação. O Dieese analisou 700 negociações em todo o Brasil. Outro dado nacional importante é que o percentual de acordos que não repuseram a inflação que foi de 11% em 2008, no ano passado, ficou em 4,3%.
O desempenho do Sul e também do Paraná acima da média nacional está ligado a vários fatores. O economista do Dieese, Sandro Silva, disse que o bom desempenho da economia alavancou os resultados. Mas, tanto a região como o Estado tiveram o setor agrícola beneficiado pelo aumento dos preços de vários produtos e das exportações, o que influenciou positivamente a agroindústria. ''A economia dos três Estados do Sul é mais diversificada. O Paraná tem a indústria forte em vários segmentos como metalúrgica, metal-mecânica, têxtil e a agroindústria'', explica.
Na média nacional, o setor que teve o melhor desempenho foi a indústria que registrou 95,7% dos acordos com índice igual ou superior ao INPC, seguido pelo comércio com 96,60% e pelo setor de serviços com 92,80%.
Para ele, o bom desempenho das negociações salariais no Brasil está ligado ao crescimento de 7,5% do PIB (Produto Interno Bruto), a maior geração de empregos com a redução da taxa de desemprego e a inflação que ficou em 4,88% em 2010 contra 5,26% no ano anterior. Além disso tudo, contribuíram para os resultados, as mobilizações realizadas por várias categorias de trabalhadores e pelos sindicatos.
Em 2011, ele acredita que haverá continuidade do crescimento da economia, mas em ritmo menor do que no ano anterior. O economista prevê diminuição do desemprego e inflação estabilizada, chegando ao final do ano no patamar de 6%.
Com este cenário, Silva acha que deve continuar a boa tendência das negociações coletivas, mas talvez o patamar de aumento real seja menor. Com o salário mínimo que teve reajuste apenas pela inflação, o economista prevê que os trabalhadores terão dificuldades de negociar aumentos reais maiores.


