Paraná será segundo mercado em geração de vagas temporárias
Expectativa é que paranaenses fiquem com 6,5% dos empregos provisórios formais no fim de ano devido a momento econômico melhor do que gaúchos, mineiros e fluminenses
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segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Expectativa é que paranaenses fiquem com 6,5% dos empregos provisórios formais no fim de ano devido a momento econômico melhor do que gaúchos, mineiros e fluminenses
Fabio Galiotto - Grupo Folha 
O Paraná atingirá a segunda colocação na geração de vagas temporárias formais de fim de ano, com expectativa de criar 36,9 mil vagas. Com o melhor momento econômico vivido em relação aos outros estados que estão entre os principais empregadores, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, os paranaenses devem ficar com 6,5% dos 570 mil postos de trabalho provisórios, segundo levantamento da Asserttem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário).

O único estado com melhor desempenho esperado é São Paulo, com 366 mil vagas. Completam os cinco primeiros Rio de Janeiro (34.688), Santa Catarina (26.870) e Amazonas (26.701). No País, a previsão é de crescimento de 13,8% nas contratações para os meses de setembro a dezembro neste ano, em relação às 500 mil vagas de 2018.
Para o vice-presidente da Asserttem, Marcos de Abreu, o Paraná vive um momento melhor e os resultados aparecem em vários indicadores, como o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). “É um Estado com infraestrutura melhor do que outros, com o Porto de Paranaguá melhorando, e tem sucesso no agronegócio, a chegada de investimentos de grandes empresas, além de mostrar força nas atividades de ensino e de tecnologia da informação.”
De acordo com a pesquisa anual, os meses mais representativos serão outubro, em razão do Dia das Crianças, com alta de 19,8% nas contratações; e dezembro, devido às festas de final de ano, acréscimo de 21,8%, sempre na comparação com o ano passado. “Mas em setembro já começamos com alta nas contratações em relação a 2018”, diz o representante da Asserttem.
No entanto, a chance de efetivação a partir de janeiro ainda é incerta. Abreu afirma que até 2013, antes do início da crise econômica nacional, a taxa de registro definitivo do trabalhador temporário era de 30%. “Essa margem caiu para menos de 15%, mas é uma tendência que precisa ser revertida com medidas que estimulem a contratação definitiva, porque o desemprego no País é alto.”
Ele considera que comércio e agronegócio são os principais responsáveis pelas contratações no último quadrimestre. Responsável pelas operações no interior paulista e na região Sul da consultoria de recursos humanos Luandre, Angelina Vinci conta que o Paraná tem se destacado também em outro setor. “Logística é um segmento que vem forte em contratações no Estado, mas esse termômetro é para setembro. A tendência é que o varejo tome a liderança nos próximos meses.”
Vinci conta que a consultoria, uma das maiores do País, normalmente começa a receber demandas para o fim do ano em outubro. “Neste ano já começou e grande parte é do comércio, o que gera uma expectativa positiva em outras atividades”, cita. “Essa injeção de recursos do FGTS e o início do pagamento do 13º para algumas parcelas da população incentivam essas contratações. Por mais que os R$ 500 do FGTS sejam pouco, é um valor que recoloca as classes D e E de volta ao consumo.”
Para o consultor econômico da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Marcos Rambalducci, o clima na cidade ficou melhor depois de indicadores como o Caged, que apontou que Londrina criou 333 vagas em agosto. “A indústria está revertendo a curva negativa e ficando na positiva, o que gera a expectativa de mais contratações ante 2018”, diz. Ele completa que medidas como a Lei da Liberdade Econômica, que facilita a abertura de negócios de baixo risco, e o retorno da campanha de Natal por parte da Prefeitura devem agilizar investimentos.
Em Curitiba, o consultor da ACP (Associação Comercial do Paraná) e diretor executivo do Instituto Datacenso, Claudio Shimoyama, afirma que as pesquisas sobre intenção de compra para o Dia das Crianças também indicam um otimismo maior. “Não é só para o fim do ano, mas os comerciantes estão esperançosos de que as vendas vão melhorar também para 2020. É uma oportunidade ainda para empresas e também para candidatos que conseguirem a efetivação.”
Para consultora, efetivação é possível com dedicação

A gerente de recursos humanos Angelina Vinci, da consultoria Luandre, afirma que o mercado de trabalho exige uma performance cada dia melhor dos funcionários, tanto técnica quanto de comportamento. “Na contratação temporária, a chance é de o empregador vivenciar o desempenho do trabalhador e avaliar a efetivação”, diz. “A sugestão é que o temporário aproveite a oportunidade, mostre dedicação, motivação e apresente ideias para fazer as coisas diferentes. Ele pode até mesmo ser contratado para o lugar de um efetivo que não esteja desempenhando bem a sua função.”
Em Londrina, os trabalhadores enxergam no período uma maior chance de encontrar uma vaga. “Vim para cá fazer um curso de mecânica no Senai e, pelo o que vi, apareceram bastante vagas temporárias na cidade, até mesmo na área em que pretendo atuar, mas estão pedindo o curso completo”, diz o ex-estoquista Gustavo Tinti, de Pedreira (SP).
Para o pizzaiolo Thiago Henrique Penha, o momento é de buscar um complemento para a renda familiar. “Estou com um bico em uma pizzaria que a família abriu, mas preciso encontrar algo em que possa trabalhar de manhã enquanto não consigo uma carteira assinada”, diz. “Tenho mais currículo em trabalho com alimentos, sempre tive facilidade de conseguir trabalho temporário quando estava em São Paulo e quero ver como funciona aqui”, completa Penha, que está em Londrina há cinco meses.


