Cláudia Lopes
De Londrina
O Paraná vai fabricar o fertilizante sulfato de amônia em Araucária. Usado na agricultura em lavouras como milho, café, feijão e algodão, o adubo será produzido na Cofepar, uma unidade de transformação de óleo combustível em fertilizante e energia elétrica, que consta do Programa Prioritário de Termolétricas lançado anteontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em Brasília e que prevê a construção de cinco usinas no Paraná.
As obras da Cofepar devem ser iniciadas em março do próximo ano por um grupo de empreendedores formado pela Petrobras, Ultrafértil e empresa americana PSEG. Na fase de construção, a unidade vai gerar cerca de mil empregos diretos. ‘‘Logo após a inauguração, em 2003, deve empregar entre 80 e 100 pessoas’’, disse o chefe da coordenadoria de empreendimentos da Refinaria de Araucária (Repar), Daniel Fragoso.
Atualmente, o sulfato de amônia não é produzido no País. A produção paranaense substituirá boa parte da importação do produto, que vem principalmente dos Estados Unidos. O Paraná importa anualmente, pelo Porto de Paranaguá, cerca de 200 mil toneladas do adubo. A Cofepar vai produzir mais de 100 mil toneladas por ano. O sulfato de amônia e a uréia são os dois fertilizantes nitrogenados mais utilizados na agricultura.
O produto será comercializado pela Ultrafértil, que fabrica a matéria-prima amônia. ‘‘Com a Cofepar, a empresa amplia seus investimentos’’, disse Fragoso. Ele acredita que a unidade deverá incrementar a atividade econômica no Estado. ‘‘A Ultrafértil vai vender o produto a granel. Certamente outros grupos vão se interessar em embalar o adubo, investindo no Estado’’.
Sem revelar a previsão de preço, Fragoso garantiu que o preço do produto nacional será mais competitivo do que o importado. ‘‘Mas a grande vantagem é que, como não estaremos atrelados a alguns fenômenos econômicos como o dólar, a produção nacional reduzirá o risco de desabastecimento’’, disse.
A Milenia, de Londrina, é um cliente em potencial da Cofepar, segundo o presidente do grupo, Osvaldo Pitol. A empresa utiliza o sulfato de amônia em alguns processos químicos na produção de defensivos agrícolas. Para ele, a maior vantagem de trocar a importação pelo produto nacional é a redução dos estoques. ‘‘Ao invés de importar grandes quantidades, poderemos passar a comprar o produto local semanalmente. Isso ajuda no fluxo de caixa porque conseguimos parcelar o pagamento. Outro benefício é o aumento na geração de empregos internos e o crescimento de impostos’’.
A fábrica de fertilizantes viabilizou a construção da termoelétrica, que vai funcionar no mesmo local. ‘‘Sozinha, a usina não teria boa economicidade’’, revelou Daniel Fragoso. Na unidade de produção de energia elétrica, a Cofepar vai usar o óleo combustível da própria refinaria. ‘‘A usina terá 630 megawatts de potência’’
A Petrobras também terá participação em outras três termoelétricas do Estado: na Usina de Energia a Gás de Araucária (UEG), em São Mateus do Sul e em Pitanga. ‘‘Também devemos fornecer gás para a termoelétrica de Londrina’’.
Para Fragoso, a termoelétrica de Londrina é importante porque vai garantir a disponibilidade de energia a todo o Norte do Estado. ‘‘Vai tornar o sistema ainda mais confiável’’. A construção da termoelétrica de Londrina foi confirmada anteontem, em caráter extra-oficial, por um técnico da Copel que participou do seminário ‘‘Gás natural e suas aplicações’’.

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